Da solteirice

8 07 2009
A que ponto chegamos...

A que ponto chegamos...

Sabe, desde que vi, há alguns meses, a notícia daquela passeata dos solteiros, aqui em São Paulo e no Rio de Janeiro, fiquei com um incômodo me corroendo a cabeça. Como é possível que, num momento da nossa História em que a comunicação entre as pessoas é tão fácil, ninguém se entenda e precise-se organizar uma manifestação pública para protestar contra a solidão?

Estava aqui conversando com um grande amigo e me surgiu, talvez, uma possível resposta pra boa parte desse desencontro. Talvez a própria facilidade de comunicação seja a “culpada”. É verdade! Somos diariamente agraciados com tantas referências visuais/psicológicas/estéticas que temos condições de imaginar um “par perfeito” (como o orkut nos sugere descrever em nossos perfis), alguém que provavelmente não existe, mas que é quem gostaríamos de ter ao nosso lado.

Acontece que, como temos, em geral, a consciência de que esses seres ideais não existem de fato, procuramos nas pessoas reais o reflexo da(o) parceira(o) que temos em mente. E nunca encontramos alguém que se encaixe direitinho no perfil. E ficamos nessa eterna procura, em ciclos intermináveis de conhecer -> gostar -> conhecer melhor -> se frustrar.

Cabe aqui um exemplo: minha ex-namorada. Termo até forte pra um relacionamento que durou 1 mês, mas vá lá. Foi ela quem tomou a maior parte das iniciativas, ainda que eu fosse fisicamente bem diferente do que ela dizia gostar. Só que, em termos de atitude, eu parecia ser o cara que ela queria. Quando terminamos, ela me disse que estava acabando porque eu não era aquilo que ela imaginava. Ela imaginou todo um ser com base em alguns cacos de informação que tinha a meu respeito, cacos estes colados com o que ela sonhava ser o “par perfeito” para ela. Obviamente a cola era fraca, porque irreal, e o Thiago que ela criou eventualmente se despedaçou na frente dela, mostrando um cara diferente (pra constar: um cara menos “metal”, menos “do mal”, mais sussa do que ela gosta etc).

Bom, continuo eu mesmo tendo minha ideia de “par perfeito”, assim como suponho que você tenha, mas estou procurando deixar essa mulher utópica guardada na gaveta quando conheço uma pessoa nova. De repente meu par perfeito não é aquele que eu tenho em mente, mas alguém que só vai se revelar como tal se eu me permitir conhecer pessoas diferentes. Não conheço todas as pessoas do mundo, e pode ser que a pessoa ideal para mim tenha características com as quais eu ainda não tenha me confrontado nessa vida.


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Uma resposta

9 07 2009
Suely

Par perfeito – será que existe?
Não seria justamente as diferenças que nos levam a criar um relacionamento rico, que nos proporciona conhecer o outro, mudar alguns conceitos e preconceitos?
Eu penso que não há perfeito, pois o ser humano é imperfeito por natureza e aquilo que é bom para uns, não é para outros.
Companhia ideal? Também a palavra “ideal” nos leva ao campo do que idealizamos e não da realidade.
Creio que quando as pessoas se derem chance de conhecer como realmente são e pararem de criar “pares idealizados” muitos se encontrarão e poderão ter um relacionamento rico que permitirá encontros felizes.

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