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Arquivo da categoria: Migalhas (Cotidiano)

O nada do mundo que às vezes merece comentário

Dos cuidados que se deve ter com agências de modelo/ator

Há alguns dias, coloquei um post aqui sobre uma certa agência de modelos que tem me dado muita dor de cabeça. Precisei ocultar o post por questões legais, mas permaneço querendo alertar às muitas pessoas que desejam entrar nesse ramo sobre o tipo de problema em que podem entrar caso não conheçam bem o funcionamento deste meio.

A história é a seguinte: em agosto de 2011, fui chamado, após passar por uma “pré-seleção”, a conversar com o booker da agência de modelos em questão. Eu nunca havia trabalhado com publicidade e tinha pouca informação sobre os procedimentos habituais do meio (depois acabei aprendendo bastante no site centraldeatores.wordpress.com). Enfim, nessa conversa, o booker me informou que a agência tinha-se interessado pelo meu perfil e me perguntou se eu possuía material fotográfico. Ao mostrar as fotos que eu tinha, ele disse que eu precisaria fazer um novo book de acordo com meu perfil. “As fotos são o que eu tenho para vender o meu produto, que é o modelo”. Logo atalhou que eu poderia fazer o book por conta própria, conforme me conviesse, mas que a agência poderia conseguir um horário com um fotógrafo conhecido por eles (que “só faz editorial e publicidade, não faz book, a não ser quando a gente pede”) simultâneo ao de uma produtora de moda para cuidar do figurino. As fotos seriam tiradas na própria agência (que, ao menos até então, não tinha um estúdio profissional para fotos) e seriam encaminhadas posteriormente para alguém cuidar do tratamento de imagem. “Mas esse material precisa ser feito rápido”, frisou, porque supostamente a temporada em que eu poderia entrar no mercado começaria em setembro e, depois disso, “só no ano que vem”. O book, com a produção de moda e o tratamento das imagens, saiu pela bagatela de R$ 1000,00 – o que me pareceu, na minha inexperiência, um preço aceitável. Hoje sei que um ótimo book para atores pode sair entre R$ 200,00 e 700,00. Vale dizer que eu já tinha pesquisado o nome da agência na internet e só havia encontrado bons pareceres. O homem falou, ainda, que nenhum dinheiro ficaria com a agência.

A data para tirar as fotos, que a princípio era tão urgente, foi paulatinamente adiada por 1 mês após eu ter efetuado o pagamento – que, aliás, teve que ser feito à vista, “para poder garantir os profissionais envolvidos”. Quando enfim chegou a data das fotos, tudo foi feito em menos de 1 hora, com roupas que me pareciam bastante usadas, e num fundo amarelado, pouco favorável à maior parte dos fotógrafos profissionais. “A gente resolve no Photoshop”. Vale dizer que o booker havia prometido acompanhar o ensaio, mas desapareceu depois que eu efetuei o pagamento, ficando a cargo de outro funcionário da agência fazer a direção.

Duas semanas após a sessão de fotos, fui novamente chamado na agência para pagar pelos composites, pois o produtor para o qual ele dizia acreditar que eu poderia trabalhar tinha “gostado muito das fotos” e iria levá-las para o seu cliente. Foram mais R$ 400,00 que eu, tolo, aceitei pagar por acreditar na reputação da agência e do próprio booker. Não pude ver as fotos nesta ocasião porque, supostamente, meu book estava com o cliente. Aviso: hoje em dia ninguém precisa de composite para fazer publicidade, já que todas as fotos de atores e modelos podem ser enviadas por e-mail, mas eu só aprendi isso depois.

Por volta de outubro, quando ameacei reclamar no Procon (pois ainda não tinha visto uma foto sequer), fiquei sabendo que eles tinham, supostamente, conseguido um trabalho para mim. O book, agora, segundo diziam, estava com o cliente (uma empresa de telefonia cujo nome não podia ser mencionado “por sigilo”), que havia retido todos os materiais fotográficos dos modelos aprovados para o trabalho – coisa que qualquer agência séria jamais permitiria, afinal, o book é a ferramenta que eles usam para vender nosso trabalho para outros clientes. Detalhe: não passei pessoalmente por nenhum teste para fazer o tal trabalho. Aprendi depois que é bastante raro um ator ser escolhido apenas pelas fotos para fazer comerciais, e também sei que esse tipo de sigilo é desnecessário: já fiz vários testes por outras agências e sempre soube de antemão para qual marca seria.

Em dezembro, depois de muita enrolação, disseram que eu não poderia mais fazer o trabalho porque não possuía DRT. Quando perguntei por que não tinham me avisado antes, para que eu pudesse tirar o DRT provisório, a resposta foi “achamos que não ia precisar”. Bastante profissional, não?

Após essa situação ridícula, me enviaram cinco das minhas fotos por e-mail. Todas péssimas, com iluminação de péssima qualidade e a constatação de que o figurino não funcionava em absoluto para meu tipo físico. Na minha ingenuidade, achei que estavam boas, mas ao levar em outras agências fui informado dessas falhas (a má iluminação, por exemplo, prejudicava a percepção da cor do meu cabelo, o que possivelmente é meu maior diferencial).

No dia 9 de MARÇO de 2012, fui tentar buscar meu material na agência – com hora marcada, tendo avisado que iria retirar meu material das mãos deles por não estar (evidentemente) satisfeito com o serviço. Fui novamente enganado: não havia nada na agência, e fui recebido na porta, sem sequer ser convidado a entrar.

Hoje estou em duas outras (ótimas) agências que trabalham exclusivamente com atores (Tribo de Atores e Princípio do Talento), e aprendi os “detalhes” mencionados acima. Então, além deles, dou mais algumas dicas para você que quer entrar nesse mundo cheio de enrolões:

- Se a pessoa quiser te apressar, te levar a fazer um pagamento na hora, sem ter tempo para pensar, desconfie.

- Se houver muito “sigilo” e ninguém souber te informar datas precisas de testes, provas de figurino, nome da empresa, etc., fuja.

- Se receber muitos elogios, do tipo “nós gostamos muito de você” ou “você tem um perfil que nos interessa muito”, acione o seu radar. Ninguém vai te elogiar à toa.

- Peça informações sobre a empresa, como o CNPJ. Agências sérias não terão problema em fornecer dados como esse (e são juridicamente obrigadas a fornecê-los), e eles serão necessários caso você tenha que fazer uma reclamação formal.

Este post pode vir a ser complementado no futuro.

 
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Publicado por em 09/05/2012 em Migalhas (Cotidiano)

 

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Iae, zica da velô!

É! Você mesmo que adora andar a 70, 80, 90 km/h numa via de 60 km/h! Você que gruda seu carro na traseira do carro da frente pra ele te dar passagem! Você que acha que a Av. Interlagos é, na verdade, o Autódromo de Interlagos! Gruda o carro na traseira da…

Você tem noção de que, se eu precisar frear meu carro por qualquer motivo (tipo, sei lá, um cachorro atravessando a rua), você vai entrar direto no meu carro? De que você pode matar, no mínimo, a mim e a si mesmo? De que você pode provocar um engavetamento? De que, se você não tiver seguro, vai mergulhar na maior dívida da sua vida (caso você sobreviva) pra arrumar o estrago?

E tudo isso pra quê? Pra chegar uns 2 minutos mais cedo no seu destino? Super vale o risco, hein!

Quer passar? Buzina, dá luz alta, mas não me obrigue a desrespeitar a lei junto com você e não coloque a minha vida em risco. Nem a dos outros. Se sua própria vida não vale seu cuidado (e dois minutos de atraso), o problema é só seu.

 
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Publicado por em 26/04/2012 em Migalhas (Cotidiano)

 

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[Vlog] Diário de viagem #1 – Guarujá Forever Alone (3º dia)

Terceira e última parte do diário que gravei na minha viagem para o Guarujá no fim de 2011. O sonho do mar engolindo a praia (já sonhou com isso?), o tiozinho maluco que conheci no Morro do Maluf e as praias do Guarujá.
Bônus: gente mala com som do carro no talo

 
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Publicado por em 27/01/2012 em Migalhas (Cotidiano), Vlog

 

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[Vlog] Diário de viagem #1 – Guarujá Forever Alone (2º dia)

Segunda parte do diário que gravei na minha viagem para o Guarujá no fim de 2011. Desabafo sobre a solidão de viajar sozinho e reflexões sobre o culto do corpo “em forma” que vivemos hoje em dia.

 

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Morte (cont. III)

Pequeno atraso. 2 dias para iniciar a grande renovação.

 
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Publicado por em 29/06/2011 em Migalhas (Cotidiano)

 

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Morte (cont. II)

Todo fim pressupõe um recomeço. 7 dias.

 
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Publicado por em 23/06/2011 em Migalhas (Cotidiano)

 

Morte (cont.)

Em 8 dias, virá o primeiro grande movimento rumo ao fim.

 
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Publicado por em 22/06/2011 em Migalhas (Cotidiano)

 

Morte

Faltam 9 dias para consumar-se a morte. Não a da carne ou da alma; uma Morte de uma outra espécie. Mais detalhes conforme o dia se aproximar.

 
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Publicado por em 21/06/2011 em Migalhas (Cotidiano)

 

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Cessão

Queria ter escrito sobre o tema da perfeição no filme Cisne Negro. Queria ter falado do efeito curioso que me causou ver a trilogia “Enquanto isso…”, no Teatro Folha, indo nos três dias em sequência. Queria ter comentado a última peça do grupo Redimunho. Queria contar do curta “Foxtrot lisérgico”, que gravei há duas semanas. Mas não tá rolando.
Hei de voltar a ter tempo.

 
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Publicado por em 15/02/2011 em Migalhas (Cotidiano)

 

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As luzes da cidade

O som alto das hélices do helicóptero, filtrado pelos imensos protetores de ouvido (que mais lhe pareciam um par de sabonetes unidos por uma tiara), era quase como o ruído da chuva batendo na janela durante a madrugada. Sentia-se relaxado no céu, e aquele ruído contínuo funcionava como um mantra exterior a ele.

O pensamento erguia-se alto como o rotor. De lá, podia observar toda a São Paulo ao entardecer. Pensava nas pessoas que, antes do raiar do dia seguinte, já estariam acelerando o passo em direção ao ponto de ônibus para, envolvidas nos braços do Tempo, ganharem seu pão diário. E naquelas que, ao desaparecer o último resquício de luz solar, ainda estariam no mesmo ritmo, a mente no pão do dia seguinte, até que o orvalho deixasse de acariciar as folhas da planta mais rasteira.

Atentou para o anda-e-para típico das seis da tarde. Imaginou como, pouco antes, o vento açoitava os carros que passavam velozes pela marginal Pinheiros. Se naquele momento estivesse lá embaixo, sentiria o odor da fumaça carbônica ali mantida pela inversão térmica, o tempo seco tornando-a ainda mais insuportável. Apiedava-se dos pedestres que se atropelavam rumo à estação de trem, que sentiam aquele cheiro cinza como a calçada que pisavam.

Voltando os olhos em direção ao centro da cidade, lembrou-se da última vez em que fora agraciado com a vista aérea da cidade. Na ocasião, o sol já se havia posto, e na escuridão fora possível perceber as luzes de neon das casas noturnas, tão ínfimas daquela distância. Brilhavam com a urgência da capital. Nenhum atraso permitia-se àquelas pessoinhas, tão minúsculas dali; eram elas, segundo seu raciocínio, o ar responsável por manter os pulmões dos arranha-céus respirando, trazendo o oxigênio a ser transportado pelas hemácias que, entregando-o em cada célula, permitiriam a geração da energia-dólar, a circular como cédula na cidade, no país, no mundo.

E os relógios contam dias, anos, enquanto ritualisticamente correm e param as luzes brancas e vermelhas da metrópole, numa dança urgentemente lenta, estúpida, conhecida por todos os seus habitantes.

Sinal. A câmera focaliza seu rosto enquanto ele narra um preâmbulo do trânsito na cidade. Ela volta-se então em direção ao solo, enquanto ele explica ao microfone que no lado esquerdo do vídeo os carros vão rumo à rodovia Castelo Branco, enquanto que no lado direito a lentidão é no sentido Interlagos. Devolve a palavra ao âncora, comenta algo desimportante com o cameraman e dirige o olhar novamente para o exterior, observando o organismo agigantar-se à sua vista conforme ele próprio volta a integrá-lo.

Foto: André di Lucca/WikiCommons

Foto: André di Lucca/WikiCommons

 
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Publicado por em 10/09/2010 em Arte, Conto, Migalhas (Cotidiano)

 

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