
Parte do elenco feminino se maquiando
Em 26 de junho de 2010 aconteceu a estreia do exercício cênico Cenas de Jorge Andrade. Foi também a estreia da minha turma do Célia Helena nos palcos. E também minha estreia atuando efetivamente em teatro.
O dia foi bastante longo. Chegamos ao Teatro Célia Helena, na Liberdade, às 13h, quatro horas depois de nosso professor/diretor Fernando Nitsch (em cartaz agora com esta peça que eu já resenhei), que chegara mais cedo para preparar a iluminação. A apresentação começaria às 20h30. Quando cheguei, os móveis recebiam uma demão de tinta – o palco já havia recebido sua cota, para que ficasse livre das marcas e manchas deixadas pela última encenação que acolhera.
Iniciou-se então o ensaio técnico. O técnico de luz acompanhava nosso muito enxuto ensaio, apenas para pegar as deixas das transições de que cuidaria. Percebi nesta montagem que prefiro esquemas de luz simples, como o nosso (um contra azul, luz geral, foco de narrador e foco numa elevação do palco e pronto), no lugar de iluminações pomposas e grandiosas: as simples trazem o clima adequado ao mesmo tempo em que aproximam o público da ação.
Em termos de trilha sonora, permito-me um certo orgulho: Bárbara Mazzola e eu juntamos, depois de boa pesquisa, um apanhado muito legal de músicas das décadas entre 30 e 60 (períodos em que se passavam as peças que adaptamos), todas tendo como instrumento principal o violão. Várias das músicas eram interpretadas pelo fantástico (e já falecido) violonista brasileiro Baden Powell. Fizemos um bom trabalho juntos, né, Bá?

Boa parte do elenco junta e ansiosa para o grande momento
Duas horas de ensaio técnico, um ensaio geral “com tudo” e finalmente começávamos a vislumbrar a forma final de nossa apresentação, com a iluminação adequada e a trilha sonora contribuindo para a criação da atmosfera esperada. E a empolgação crescia. Um ou outro errinho na iluminação e no som durante o ensaio deixaram este novato um tanto apreensivo – mal eu podia saber, no entanto, a sincronia incrível que nossos técnicos teriam conosco quando tudo fosse “pra valer”.
Corri então para buscar algo que se assemelhasse a um jantar (consegui um pedaço de pizza e uma caixa de bolinhos doces) e em poucos minutos estava de volta ao palco, junto com meus colegas de cena, aquecendo o corpo sob o comando de nossa professora e preparadora corporal Ondina Clais. Depois daquilo, nada seria capaz de derrubar a energia positiva e forte que surgia em cada um dos 24 atores, energia cujo combustível era a adrenalina (em altas doses).
Plateia entra. Música brasileira para recebê-la. Primeiro sinal. Segundo sinal. “Bem-vindos ao exercício cênico do segundo termo noturno do Teatro Escola Célia Helena. [...] Por favor, desliguem os celulares. Não é permitido fotografar ou filmar com flash. Tenham todos um bom exercício.” Terceiro sinal. Peça. Peça. Adrenalina 207%. Peça. Susto, choro, beijo, blackout, Beatles. Palmas, emoção, reflexão lá e cá. Êxito absoluto.
(A Bárbara também falou sobre esse dia no blog dela. Os textos se complementam!)
Veja o álbum de fotos
Ficha Técnica:
Direção: Fernando Nitsch
Elenco: Amanda Campina, Amanda Mello, André Stern, Bárbara Mazzola, Beatriz Furiatto, Elohá Bartijoto, Fabio Martins, Fabíola Martins, Felipe Bastos, Flávia Mariotto, Jéssika Pelaes, Jo Capelo, Julio Cesar Gomes, Jurema Pedroso, Luana Coelho, Luiz Felipe Sobral, Magiu Pinheiro, Mônica Lia, Renata Sarmento, Renato Velloni, Roger Telles, Rosi Lessa, Tay Monteiro, Thaís Helena, Thiago Schiefer
Figurino e trilha sonora: o grupo
Preparação corporal: Ondina Clais
Iluminação e operação de luz: Jeff Campos
Operador de som: Juarez Adriano
Cenotécnico: Mateus Fiorentino
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