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René Magritte

Le fils de l'homme

Le fils de l'homme (O filho do homem), auto-retrato, 1964

Se existe um movimento que eu curto nas artes plásticas, é o Surrealismo. E se, dentro deste movimento, tem um pintor que eu possa apontar como favorito, sem dúvida nenhuma é René François Ghislain Magritte.

Acho que o grande barato do Surrealismo, e especialmente da obra deste senhor belga nascido em 1898, é que os quadros são como fotografias de sonhos. Como nos sonhos, tudo é muito real, quase palpável, mas as coisas misturam-se de uma forma totalmente irreal (eu até poderia dizer também “ilógica”, mas sempre há uma lógica por baixo dessas doideiras).

Magritte tinha algumas marcas registradas, elementos que aparecem em várias de suas obras. Várias delas são a vista através de uma janela; outras tantas apresentam uma maçã verde, e algumas ainda contam com uma esfera dotada de uma fenda horizontal (dizem ser um daqueles sininhos de trenó, mas sei lá se são mesmo).

A maçã, em dois bons exemplos, talvez possa ser interpretada como o pecado. É uma interpretação bem tradicional, mas nestes casos me parece bastante convincente: em O filho do homem (acima), vemos um homem com o rosto coberto pela maçã – talvez possa-se pensar que o homem é encoberto pelo pecado, fruto seu; e mais evidentemente em O padre casado (abaixo), duas maçãs equipadas com máscaras, dois pecados escondendo-se do mundo.

Le prêtre marié

Le prêtre marié, ou O padre casado, 1950

Mémoire

Mémoire (Memória), 1948

Já a esfera horizontamente cortada (ou o sino, se formos seguir o consenso) é a que mais me intriga, desde algum tempo. Na maior parte dos casos, remete-me à modernidade, às máquinas – talvez porque as obras em que aparecem com mais evidência chamem-se O autômato I, O autômato II (ambas abaixo) e A voz do espaço. Acho muito curiosa a aparição desta figura na obra Memória (de 1948, ao lado), em que aparece ao lado de uma cabeça típica de esculturas clássicas que sangra. Parece que a esfera foi arremessada contra a cabeça, ferindo-a, e observamos o resultado. Será um recado de que o moderno “venceu” a arte clássica, a “memória” de tempos passados?

Essa habilidade de provocar o raciocínio é o que mais me fascina na obra de Magritte. Ela permite ao observador tirar uma série de conclusões a respeito deste ou daquele quadro, sem que haja necessariamente uma conclusão “correta” – afinal, são representações do subconsciente. E no plano do subconsicente não existem verdades absolutas.

L'automate I e II

L'automate I (O autômato), 1928-29, e L'automate II, 1929

 

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Ônibus para o além

É o fim da linha.

Se tudo acabou para você, tome um ônibus. Mas não um ônibus qualquer, desses que você pega num ponto na calçada, que pode te levar de um lugar a outro da cidade. Não. Pegue este, atrás das grades de um certo terreno privado. Ele surge na noite do solstício de inverno e leva as almas que não querem mais aqui ficar.

Ah, esse ponto não está cadastrado no site da SPTrans. Você vai ter que procurá-lo pela cidade se quiser tomá-lo. Mas não se esqueça: é um ponto somente de partida…

Você pega o ônibus aqui... ou ele pega você?

Você pega o ônibus aqui... ou ele pega você?

 
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Publicado por em 04/07/2009 em Besteiras, Fotos

 

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