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Jekyll & Hyde: O Médico e o Monstro

Jekyll & Hyde (divulgação)Semana passada fui assistir ao musical Jekyll & Hyde – sim, aquele mesmo para o qual fiz audição há um ano.

O espetáculo já começa a envolver o espectador antes mesmo de começar: no foyer é distribuído um programa simplificado cuja capa imita um jornal da Londres do século XIX, situando-nos na época em que se passa a ação; uma vez dentro do teatro, há um barulho de chuva ininterrupto, que colabora para nos colocar “no clima” da peça. Resumidamente, ela fala sobre Henry Jekyll, um cientista que deseja inventar uma fórmula para separar os lados bom e mau do ser humano, para poder liquidar a maldade no mundo e, com isso, salvar seu próprio pai da loucura (a qual ele crê dever-se a seu lado mau). Leva a proposta aos dirigentes de um hospital, pedindo permissão para fazer de alguns pacientes suas cobaias, mas seu pedido é prontamente rejeitado, o que o leva a conduzir seus experimentos consigo mesmo. E por aí vai.

Kiara Sasso (crédito: site oficial)

Kiara Sasso no papel de Emma

Logo de cara já é possível perceber que o forte desta montagem é a música: acompanhados por orquestra e banda, os cantores mostram um desempenho absurdo do começo ao fim, com merecido destaque aos protagonistas Nando Prado (Jekyll/Hyde), Kacau Gomes (Lucy, a prostituta) e principalmente Kiara Sasso (Emma, noiva de Jekyll).

A performance vocal, os belos efeitos especiais (incluindo chuva e fogo, que contribuíram para alçar o orçamento da montagem aos 6 milhões de reais) e os incríveis figurinos de Fause Haten são, na maior parte do tempo, o bastante para encobrir o desempenho não tão bom em termos de atuação. Claro que não podemos esperar uma interpretação puramente realista num musical, simplesmente porque em realidade as pessoas não cantam para comunicar tudo o que querem, mas em diversos momentos é fácil perceber que boa parte dos cantores apenas decorou suas marcas, sem a preocupação de deixá-las orgânicas – em diversos momentos a movimentação e os gestos simplesmente não convencem. Exceções notáveis a isso são a própria Kiara Sasso (para mim, a estrela maior do espetáculo) e Nando Prado, especificamente na cena em que discute consigo mesmo (Jekyll vs. Hyde), num trabalho de corpo que impressiona. Nem preciso dizer que, atuando bem ou mal em termos gerais, Nando é infinitamente superior a David Hasselhoff, que “interpretou” o papel principal na Broadway.

Kacau Gomes (crédito: divulgação)

Kacau Gomes como Lucy

Jekyll & Hyde é uma peça de entretenimento. Não sei se por estar muito acostumado à história, saí do teatro sem grandes reflexões – mas creio não ser este o objetivo do espetáculo. Uma curiosidade, porém, vale destacar: durante os aplausos, Kacau Gomes foi a mais ovacionada, com berros emocionados vindos de todas as partes, o que corrobora aquela ideia de que geralmente o público se identifica mais com a personagem-pária-social do que com os “mocinhos”. É para se pensar (fique à vontade para comentar sobre o assunto aqui se tiver alguma ideia do porquê disso).

Ah, em relação a eu ter feito audição para esta peça e não ter passado: eu realmente não havia atingido a maturidade vocal necessária para fazer um musical deste porte na época da audição (e me pergunto se hoje já consegui atingir o mínimo necessário). Engraçado, porém, que o personagem Spider, para o qual eu tinha audicionado, foi simplesmente limado da peça – nas poucas aparições que faria, foi substituído por Stride, o pretendente ciumento que perdeu Emma para Jekyll. E mais uma coisinha: no post que escrevi sobre a audição eu disse: “Não tive receio de me ‘queimar’ com o diretor porque acredito já ter uma voz suficientemente preparada para não ser visto como um ‘aventureiro sem noção’”. Aí eu descobri que o diretor é Fred Hanson, que participou da produção de alguns musicais gigantes na própria Broadway. Hehe.

Serviço
Local: Teatro Bradesco
Endereço: Rua Turiassú, 2100 – Bourbon Shopping, 3° piso – São Paulo
Horários: quinta, 21h; sexta, 21h30; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h
Preços: R$ 40,00 a R$ 190,00 (mais detalhes no site do teatro, link acima)
Data: até 17 de outubro de 2010


 
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Publicado por em 26/09/2010 em Arte, Música, Resenhas, Teatro

 

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O Despertar da Primavera

Elenco (foto: Veja Rio)

Quando comecei a me interessar de verdade por musicais (ao ponto de querer trabalhar com isso), as audições para O Despertar da Primavera mal haviam se encerrado. Eu não poderia mais me inscrever para tentar um papel na peça, mas tive a excelente oportunidade de acompanhar pela primeira vez o processo de montagem de um musical desde o começo, ainda que de fora e sob a visão dos assessores de imprensa da dupla Möeller & Botelho - responsável pela versão nacional do musical da Broadway. Só falta ver o resultado final.

Mas por mais que eu não tenha ainda assistido à coisa feita, a obra é definitivamente assunto a se tratar. Escrita em 1891 pelo ator, romancista e dramaturgo alemão Frank Wedekind (precursor do Expressionismo no teatro), a peça que deu origem ao musical joga na cara do espectador uma série de tabus, como “o florescer da sexualidade, o incesto, suicídio e a opressão seja na família, no sistema educacional ou na igreja” (como diz o site de Möeller & Botelho) – e justamente por isso teve enorme dificuldade em ser montada, tendo sofrido proibições e censura em mais de um país até que conseguisse, em 1974, ser encenada profissionalmente e sem alterações. Mas vou evitar girar em torno de tudo aquilo que você pode ler no site deles ou nos inúmeros outros que falam sobre a montagem (como o da Bravo!).

Inúmeros. Inúmeros sites e inúmeros fãs. Eu honestamente nunca tinha visto um musical com tanto apelo popular, ao menos nesses poucos anos em que tenho acompanhado essa história de musicais. E o mais curioso é que, pelas leituras que fiz, a peça parece ser extremamente forte, o que costuma trazer alguma espécie de reflexão para a plateia. E, convenhamos, o público brasileiro não está muito acostumado a ser chamado à reflexão, de tão bombardeado que é por informações vazias e entretenimento fácil. O diretor Charles Möeller e o letrista Claudio Botelho conseguiram um tremendo feito ao massificar uma montagem com essa característica, ao ponto de conseguir-lhe uma segunda temporada em São Paulo.

Letícia Colin

Letícia Colin, Ilse na peça: o aflorar da sexualidade é um dos temas tratados (foto: site Möeller & Botelho)

Vou no caminho já trilhado por outros textos ao dizer que provavelmente esse sucesso todo veio pela atualidade (ou talvez atemporalidade) do texto. Os jovens de hoje podem ter uma liberdade infinitamente maior do que a dos jovens de 1891, mas continuam com angústias e dúvidas muito parecidas. É na adolescência que as máscaras do mundo começam a cair, que as coisas deixam de ser tão cor-de-rosa, e por um bom tempo ficamos tentando discernir quanto do que aprendemos é verdade e quanto é manipulação ou imposição social, quais regras podemos quebrar, o que somos de fato (para nós e para o mundo) e até que ponto somos livres. No auge de meus 24 anos, algumas dessas dúvidas foram sanadas, outras permanecem, novas certamente surgirão e algumas provavelmente voltarão (eu e algumas amigas discutimos sobre esses assuntos no blog Aos 24…). E é disso que a peça (e consequentemente o musical) trata, mergulhando no íntimo de personagens cujas idades vão dos 14 aos 25 anos e escancarando o que se passa em suas mentes quando estão presos entre os tijolos das instituições (lar, escola e igreja) ou quando estão livres na natureza de uma floresta – metáfora cênica inteligente para a liberdade da natureza humana.

Bom, muita teoria. E teoria prende. Me falta agora aproveitar a reestreia paulistana para ver, na prática, quanta força tem esse soco no estômago que parece ser O Despertar da Primavera, e quão libertador ele pode ser.

Serviço

Local: Teatro Frei Caneca
Endereço: Rua Frei Caneca, 6º andar (Shopping Frei Caneca), 569 – Consolação – São Paulo, SP
Horário: sábados, às 18h; domingos, às 20h, e segundas às 20h30
Preço: finais de semana, R$ 70,00; segundas, R$ 50,00 (valor da inteira)
Data: até 15 de agosto de 2010

 
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Publicado por em 15/07/2010 em Arte, Música, Teatro

 

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A primeira audição

A maioria de vocês já deve ter ouvido falar da estória d’O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, que conta como o dr. Henry Jekyll, numa tentativa fracassada de separar e isolar a essência maligna do ser humano, usando a si mesmo como cobaia, libertou de si um alter ego, Edward Hyde, uma terrível criatura assassina que era nada mais que todo seu “lado ruim” concentrado num único ser. O livro foi adaptado para o teatro na forma de um musical, Jekyll & Hyde, que estreou na Broadway em 28 de abril de 1997, no Plymouth Theatre. Doze anos depois, resolveram trazer esta excelente peça para os palcos tupiniquins.

Há cerca de um mês me inscrevi para as audições desse musical, através do site oficial. Preenchi uma ficha que incluía, entre outras coisas, meus trabalhos prévios em teatro/canto/dança e nível de experiência em cada uma dessas áreas; ali também precisei indicar para qual personagem gostaria de prestar. Minha escolha foi Spider (no vídeo acima, o cara que aparece aos 3’02″), cafetão de uma das personagens principais, Lucy – um papel pequeno que supus estar de acordo com minha pouca experiência nesse mundo do teatro.

Arte visual original do espetáculo, aqui empregada na capa do CD com o elenco original da Broadway

Domingo passado a produção me ligou para marcar a audição. Para mim isso já foi uma vitória, já que, creio, nem todos os inscritos são convidados para os testes (suponho que haja uma pré-seleção das fichas cadastradas pelo site). Mas fui pego de surpresa, já que a produção divulgou há menos de uma semana as músicas que poderiam ser cantadas nesta audição – acreditava que teria ao menos um mês para preparar as duas músicas que escolhi. Primeira lição: eles querem que você já esteja pronto no ato da inscrição, não que você se prepare nos momentos anteriores ao teste.

Bom, marcamos meu teste para esta terça. Ou seja, tive domingo à tarde e segunda-feira à noite para ficar “no ponto” para o teste (na segunda fui ajudado pela minha querida professora de canto, que arranjou um horário em cima da hora para fazermos uma aula). Isso sem contar a construção das personagens que cantam originalmente as músicas escolhidas, atividade que ocupava meu cérebro quase todo o tempo, totalizando aproximadamente 49 horas de preparação. E lá fui eu para meu primeiro teste de verdade – “de verdade” porque já tinha feito um numa aula do conservatório, com banca composta por algumas pessoas conhecidas do meio, como o Luciano Amaral (o Lucas Silva e Silva de O Mundo da Lua), a Jana Amorim (bailarina e cantora que participou d’A Bela e a Fera, musical que já resenhei por aqui) e o Ricardo Marques, mas foi uma “aula de como fazer audição”, não uma audição propriamente dita.

O teste aconteceu no Espaço 10×21, no bairro de Perdizes, São Paulo. Mal cheguei, fui avisado que nós, candidatos, cantaríamos a princípio apenas uma música (não duas, como pedido via e-mail), e que só cantaríamos a segunda se nos fosse pedido. Escolhi a que ensaiara mais no dia anterior e cuja tessitura condizia mais com o personagem para o qual estava prestando.

Chegada minha vez, entrei, combinei minha audição com o pianista, fui para a marca e esperei que me permitissem começar. Vale um parênteses aqui: é engraçado como fiquei muito mais nervoso antes de ir para o Espaço 10×21 do que quando estava em frente à banca. Enfim, perguntaram que música eu cantaria e logo comecei com a primeira parte do solo de Quasimodo em “Lá Fora” (essa aí embaixo, versão em português de “Out There”, do filme e do musical O Corunda de Notre Dame).

Foi tudo muito rápido. A música saiu com facilidade (graças, em parte, à excelente acústica do lugar), mas certamente meu nervoso era visível aos olhos daqueles experientes profissionais, e minha pouca experiência como ator era evidenciada pela timidez dos gestos que acompanharam minha voz. Acabou a música, o diretor agradeceu com um leve sorriso e eu me retirei. Sem segunda canção nem nada.

Ficou bastante claro que não ganharei um papel. Sempre ouvi dizer, e sempre me pareceu muito crível, que quando uma banca de audição gosta de você ou acha que você se encaixa no perfil que procuram, pedem que você ou cante completa a música cujo trecho escolheu, ou que cante sua segunda opção, e se realmente gostarem do que foi mostrado lhe dão algumas indicações sobre a segunda fase de testes (ou callback). Que fique claro: não fui maltratado, ninguém ali se comportou de maneira rude – muito pelo contrário, fui recebido com simpatia -, mas creio que estavam todos cansados e sem tempo para bater papo.

De qualquer forma, me sinto bem. Meu objetivo maior desta vez era uma espécie de reconhecimento de terreno,  saber como é a audição para um grande espetáculo. Qualquer coisa além disso teria sido um grande lucro. Não tive receio de me “queimar” com o diretor porque acredito já ter uma voz suficientemente preparada para não ser visto como um “aventureiro sem noção”. E consegui o que queria: experiência para ir melhor nas próximas tentativas, nas quais já terei mais conhecimento e prática como ator e como cantor para poder pleitear, efetivamente, um bom papel numa montagem de bom porte.

 
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Publicado por em 11/11/2009 em Música, Teatro

 

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Avenida Q em São Paulo

Avenida QNo último mês de julho, fiz uma apresentação lá no Souza Lima com várias cenas de musicais, como Les Misérables, Legally Blonde, Ópera do Malandro e Avenida Q. Na época, este último estava em cartaz no Rio. Claro que, quando veio pra Sampa, eu fiquei muito ansioso para ver – e eis que, na sexta passada, que eu achava ser do último fim de semana desta peça em cartaz, lá fui eu ao Teatro Procópio Ferreira assistir.

Altas expectativas para o musical dos bonecos. Tão altas que nem eu achava que iam ser satisfeitas. Mas me enganei: foi uma das melhores peças que já tive a oportunidade de ver! São tantas coisas para comentar que vou separando por tópicos, pra nós nos entendermos:

Local

Construído em 1948, o teatro fica ali na Rua Augusta, entre a Oscar Freire e a Estados Unidos. É bem amplo, ainda que não seja gigantesco (são 670 cadeiras meio puídas, mas ainda assim confortáveis), e conta com uma ótima acústica e um belo e moderno foyer, com um bar bem no meio.

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e o protagonista Princeton (André Dias)

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e o protagonista Princeton (André Dias)

Produção

Comecemos pelos figurinos: por mais que os personagens humanos tenham trajes bem interessantes e característicos, o que mais chama a atenção são mesmo os bonecos. E sim, alguns deles têm mais de um figurino, entre pijamas e roupas de gala – isso quando não aparecem nus! Pois é, pra quem nunca ouviu falar da peça, vale dizer: trata-se de uma espécie de Vila Sésamo com temática adulta, com direito a palavrões, discussões sociológicas e até cenas de sexo entre muppets.

O cenário, em alguns momentos bem abrasileirado (isso porque trata-se de uma versão de um musical da Broadway), conta com alguns “acessórios” bem bacanas, como o par de camas do apartamento de Rod e Nicky (numa cena que é interessantemente vista “de cima”) e o Empire State Building que aparece em certa altura da encenação.

O som dos atores/cantores e da banda, que toca escondida, mas ao vivo, é muito bem equalizado e sai das caixas com excelente qualidade – tanto em termos de áudio quanto de execução.

Minha única ressalva neste tópico é quanto a cobrarem pelo programa do espetáculo. Ok, o papel é bom, tem verniz e tudo, foi caro fazer, mas cobrar R$ 10 à parte por algo que complementa a peça é um exagero.

Texto

Escrito originalmente por Robert Lopez e Jeff Marx (letras e música), o texto ao mesmo tempo bem-humorado e “agressivo” (porque nos faz pensar na lógica da sociedade em que vivemos) foi excelentemente traduzido por Claudio Botelho nesta versão tupiniquim. A grande sacada foi manter a tradução levemente aberta, o que permite contextualizar algumas piadas de acordo com o local da apresentação (como quando um personagem gay convida outro para ir ao Shopping Frei Caneca, conhecido em SP por ser bastante frequentado por homossexuais; na montagem carioca o local citado era outro).

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e Nicky (Fred Silveira)

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e Nicky (Fred Silveira)

Atores

É aqui que a peça brilha. O texto é excelente, a produção é esmerada, os músicos são altamente gabaritados, mas o elenco de Avenida Q é o que realmente faz a peça valer a pena. Todos os que pilotam bonecos conseguem fazê-los andar com naturalidade, ter trejeitos e vozes características (e cantar com elas), além de utilizarem suas próprias expressões faciais como um complemento para as dos bonecos. É incrível como alguns dos atores controlam (e falam por) mais de um boneco – com surpreendentes momentos como, por exemplo, quando Sabrina Korgut, que faz Kate Monstra e Lucy de Vassa, está escondida dentro do casarão do cenário com o boneco de Kate, enquanto Renata Ricci encontra-se no palco controlando Lucy, e mesmo assim ouvimos, em sincronia perfeita, Sabrina falando por Lucy. O que mostra quanto trabalho esses fantásticos atores tiveram ensaiando antes de estrearem.

No dia em que fui assistir à peça, os três personagens humanos foram vividos pelos stand-ins. Minha única ressalva fica por conta de Carll Santos, que, ainda que bom ator, parecia não estar muito presente nas cenas, muitas vezes exagerando movimentos, e em outras com o olhar aparentemente distraído e distante. Mas nada que comprometesse seu Gary Coleman no contexto geral.

***

Avenida Q continua em cartaz, diferentemente do que eu esperava, até 13/12. Então, você ainda tem pouco mais de um mês para ver (ou rever) esse fantástico musical, extremamente divertido e cativante. Aproveite a campanha Vá ao Teatro para comprar o ingresso por R$ 5 (é, cincão, acho que sentando nas laterais) ou pague R$ 80 (inteira) para escolher um lugar mais centralizado. Só não deixe passar a oportunidade.

Ficha técnica aqui. E um videozinho de aperitivo:

 
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Publicado por em 02/11/2009 em Música, Resenhas, Teatro

 

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A Bela e a Fera em São Paulo

A Bela e a FeraDomingo passado (12/07) fui assistir ao musical A Bela e a Fera no Teatro Abril, e resolvi compartilhar hoje minhas impressões sobre a peça.

Começo descrevendo o teatro. Inaugurado em 1929, o então cine/teatro Paramount sofreu grandes danos devido a um incêndio em 1969. Foi reconstruído, fechando, no entanto, suas portas 27 anos depois. Em 2000 iniciaram-se novas reformas, e creio que foi então que seu nome mudou para Teatro Abril (nada consta no site do teatro a esse respeito). O foyer, de arquitetura em estilo art nouveau, é espantosamente bonito, e abriga os (muito caros) lanches, pipocas e merchandising. Cara, cobravam 50 mangos numa camiseta com o logo da peça!

Bom, à peça em si. Que produção. Faz sentido o valor que cobram pelos ingressos. Vários cenários enormes e móveis, atores/cantores muito competentes, figurinos impressionantes (que, pelas reportagens a que assisti, nunca são lavados – quando necessário, sofrem um processo de higienização com… vodka O.o)… enfim, não foi à toa que os ensaios começaram alguns meses antes desta reestreia (sim, porque o musical estreou por aqui em 2002). Só não me atraiu tanto a temática, bastante infantil (como é de se esperar de uma produção Disney).

Os protagonistas Lissah Martins e Ricardo Vieira

Os protagonistas Lissah Martins e Ricardo Vieira

Devo fazer alguns comentários em relação a Ricardo Vieira, que faz a Fera. Alguns colegas do conservatório onde eu estudava, alunos de canto, e um professor de lá, assistiram ao espetáculo no começo da temporada (há um mês ou dois) e desceram a lenha no cara como cantor. Não sei se ele aprendeu muito ao longo desta temporada, ou se estava num dia excepcional, mas para mim ele se mostrou um cantor bastante afinado e suficientemente competente – ainda que mostrasse algumas imperfeições técnicas, não achei em momento algum que isso comprometesse a apresentação. O porém, para mim, curiosamente, foi no que diz respeito a sua atuação, que achei pouco dinâmica, em especial em relação às falas. Sem contar que ele é evidentemente tenor, com uma voz leve pacas, e ouvir uma voz levinha vinda de uma “fera terrível e enorme” é um tanto quanto frustrante. Um barítono passaria mais facilmente uma impressão de bestialidade e fúria, mais adequada à personagem (não digo para colocarem um baixo por causa das músicas que ele canta, com notas numa região aguda demais para a tessitura normal de um baixo).

O que ficou bastante evidente para mim foi a diferença que faz ter experiência neste meio. Ainda que os atores mais novos tenham sido bastante competentes, aqueles que já possuíam maior bagagem roubaram as cenas. Cito em especial Marcos Tumura (Lumière), Paula Capovilla (Sra. Potts) e Roberto Rocha (LeFou) – excelentes tanto em termos de atuação quanto como cantores. A Babette de Gianna Pagano também me atraiu bastante a atenção, ainda que não fosse uma personagem com tanto destaque.

Cena do jantarA cena do jantar é um show à parte. Uma coreografia com diversos bailarinos, música com variações bruscas de andamento, tudo muito sincronizado e bem-feito sob figurinos aparentemente pesados e de difícil uso, sem contar os incríveis efeitos pirotécnicos.

De modo geral, é um espetáculo que vale a pena ver. São tantos aspectos positivos que a história não chega a ser um real problema para aqueles que gostam de peças mais adultas. Aproveite que a temporada foi prorrogada até 1º de novembro e vá assistir! Informações sobre horários e preços de ingresso aqui.

P.S.: Obrigado à Josi por me avisar que a temporada foi prorrogada!

 
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Publicado por em 15/07/2009 em Música, Resenhas, Teatro

 

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Variando temperos

Vai um limão? Dá um sabor diferente pra sua bebida!

Vai um limão? Dá um sabor diferente pra sua bebida!

Talvez você já saiba, talvez não, mas eu sou músico. Toco guitarra há um bom tempo e comecei a aprender canto há pouco menos de 3 anos. No começo dos meus estudos de música eu era daqueles metaleiros bem bitolados; com o passar do tempo, fui buscando outras coisas, talvez mais porque todo mundo falava que “músico tem que ouvir de tudo” do que por uma vontade real de conhecer coisas novas. E assim fui apresentado ao jazz e à MPB, estilos muito cultuados por aqueles que tocam música popular.

Aquilo me parecia muito chato. Digo, sempre gostei de uma coisa ou outra de música brasileira (especialmente Chico Buarque e Tom Jobim), mas não era exatamente algo em que eu me encontrava. Música pop, então, nem se fala – pra mim, era o lixo do lixo.

Mas é engraçado como as coisas mudam. Quando a gente é jovem, adolescente ou recém-saído da adolescência, acha que tudo é pra sempre, que nossos gostos serão eternamente os mesmos e que pouca coisa vai mudar. Estou vendo agora que a vida não é bem assim.

Desde que minha professora de canto me mandou remover todo o heavy metal do meu MP3 Player (por questões didáticas mesmo), fui obrigado a tentar encontrar satisfação em outros estilos musicais. E curiosamente, encontrei uma satisfação ainda maior do que encontrava em meu antigo estilo favorito. Foi questão de 1 mês para que eu mudasse meu gosto a tal ponto de, ao ouvir metal de novo, não achar tanta graça. Achar fraco o arranjo de boa parte das músicas do gênero, achar o estilo de canto demasiadamente gritado e padronizado (não que vocalistas de metal sejam ruins – eles fazem coisas tecnicamente incríveis, mas o estilo exige certas coisas, como gritos e tal).

Hoje eu ouço MPB com gosto. Ouço pop rock com gosto. Ouço grunge com gosto. Ouço musicais com mais gosto ainda. Tudo destituído de preconceitos (ou assim espero).

Tudo isso pra dizer que, se você acha que todas as suas crenças e gostos continuarão os mesmos eternamente, esteja preparado para uma eventual reviravolta. E quanto mais resistente você estiver às mudanças, mais difícil será. Então, é bom estar sempre com as papilas gustativas abertas a novos temperos – eles podem ser mais saborosos do que você imaginava!

 
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Publicado por em 06/07/2009 em Música, Reflexões & Filosofia

 

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