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Da vida das flores

Imagine que somos rodeados por pequenas sementes flutuantes. Quando nossa alma encontra um terreno que lhe parece fértil, voa ali uma dessas sementes.

Em alguns terrenos, ela começa a germinar. Germina muitas vezes sem saber onde está ou o que será dela um dia. Germina contente, cheia de vida, quase brilha com luz própria.

E começa a crescer. Conforme o tempo passa, ela vai tomando contato com o terreno, conhecendo-lhe as peculiaridades. Intempéries surgem: um vento mais forte, uma chuva mais intensa, uma praga que pode resolver atacar-lhe.

Aí que entram as espécies. Algumas sementes se tornam lindas flores, rosas vermelhas, que banham a vista, mas morrem em pouco tempo.

Outras viram árvores frondosas, resistentes: cuidadas por um bom jardineiro, crescem a olhos vistos e duram muito. Cada um de nós tem uma semente que gera uma árvore majestosa e perene. Não quer dizer que todos lhe achem o terreno apropriado.

Boa parte das sementes gera plantinhas que não sobrevivem às peculiaridades do terreno ou às tempestades que desabam sobre elas. Isso não impede, no entanto, que elas caiam ao solo e tentem viver.

… queria ser um jardineiro melhor.

 
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Publicado por em 28/11/2009 em Reflexões & Filosofia

 

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Da solteirice

A que ponto chegamos...

A que ponto chegamos...

Sabe, desde que vi, há alguns meses, a notícia daquela passeata dos solteiros, aqui em São Paulo e no Rio de Janeiro, fiquei com um incômodo me corroendo a cabeça. Como é possível que, num momento da nossa História em que a comunicação entre as pessoas é tão fácil, ninguém se entenda e precise-se organizar uma manifestação pública para protestar contra a solidão?

Estava aqui conversando com um grande amigo e me surgiu, talvez, uma possível resposta pra boa parte desse desencontro. Talvez a própria facilidade de comunicação seja a “culpada”. É verdade! Somos diariamente agraciados com tantas referências visuais/psicológicas/estéticas que temos condições de imaginar um “par perfeito” (como o orkut nos sugere descrever em nossos perfis), alguém que provavelmente não existe, mas que é quem gostaríamos de ter ao nosso lado.

Acontece que, como temos, em geral, a consciência de que esses seres ideais não existem de fato, procuramos nas pessoas reais o reflexo da(o) parceira(o) que temos em mente. E nunca encontramos alguém que se encaixe direitinho no perfil. E ficamos nessa eterna procura, em ciclos intermináveis de conhecer -> gostar -> conhecer melhor -> se frustrar.

Cabe aqui um exemplo: minha ex-namorada. Termo até forte pra um relacionamento que durou 1 mês, mas vá lá. Foi ela quem tomou a maior parte das iniciativas, ainda que eu fosse fisicamente bem diferente do que ela dizia gostar. Só que, em termos de atitude, eu parecia ser o cara que ela queria. Quando terminamos, ela me disse que estava acabando porque eu não era aquilo que ela imaginava. Ela imaginou todo um ser com base em alguns cacos de informação que tinha a meu respeito, cacos estes colados com o que ela sonhava ser o “par perfeito” para ela. Obviamente a cola era fraca, porque irreal, e o Thiago que ela criou eventualmente se despedaçou na frente dela, mostrando um cara diferente (pra constar: um cara menos “metal”, menos “do mal”, mais sussa do que ela gosta etc).

Bom, continuo eu mesmo tendo minha ideia de “par perfeito”, assim como suponho que você tenha, mas estou procurando deixar essa mulher utópica guardada na gaveta quando conheço uma pessoa nova. De repente meu par perfeito não é aquele que eu tenho em mente, mas alguém que só vai se revelar como tal se eu me permitir conhecer pessoas diferentes. Não conheço todas as pessoas do mundo, e pode ser que a pessoa ideal para mim tenha características com as quais eu ainda não tenha me confrontado nessa vida.

 
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Publicado por em 08/07/2009 em Reflexões & Filosofia

 

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