Não sei você, mas eu, desde que me conheço por gente, sempre fui perfeccionista. Sempre fiz a maior parte das coisas com foco no objetivo, e o objetivo sempre perfeito.
Há minutos, no entanto, após uma conversa com uma das minhas melhores amigas, me dei conta de uma verdade muito simples: a perfeição é resultado do erro. Tem origem em sua própria antítese. Qualquer indivíduo só se torna [quase] perfeito em algo após fazê-lo inúmeras vezes, errando em todas estas, até que sua percepção se dê conta das falhas e seu cérebro aprenda a suplantá-las. Ou, se preferir as palavras de Jean Piaget,
A evolução da inteligência e, por conseguinte dos conhecimentos, tem como essencial fonte as regulações advindas de situações pertubadoras. Fica evidente nessa tese a importância do erro na aprendizagem e no desenvolvimento. [Fonte: Pedago Brasil]
Não acho, contudo, que seja equivocado buscar sempre a perfeição. Ela é um forte agente motivador para que possamos dar nosso máximo e atingir o melhor resultado possível. Mas é preciso ter humildade e respeitar a própria evolução. É preciso reconhecer que são necessários muitos passos para chegar do nada à perfeição, o fim da estrada; e é aconselhável curtir a paisagem, porque não deve ser tão divertido assim fazer tudo sem erros. Sempre descartamos ou queremos acabar logo aquelas atividades que não parecem ter nenhum objetivo, certo?
Portanto, se você está descontente porque queria cantar melhor, dançar melhor, parar de queimar o arroz na panela ou escrever com uma linguagem só sua, pare e pense. Respeite sua posição na estrada – não desmerecendo o que faz, mas vendo cada imperfeição como um passo adiante. Faz isso por aí que eu vou tentar fazer por aqui.

