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Arquivo da tag: rock

Brincando de ilustrador

Ah, até que tá parecido com o Michael Kiske, vai!

Aí vai minha pequena homenagem ao show do Unisonic.

… como desenhista, eu sou um ótimo músico. Hehehe

 
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Publicado por em 20/05/2012 em Arte, Artes plásticas

 

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O show (Rafael Merimée, 2003)

Abril de 2003. Naquela noite aconteceria o show de uma de suas bandas favoritas, daqueles com gravação de DVD e tudo. A maior parte de seus amigos não era grande fã da banda, então Rafael iria com uma amiga que conhecera pela internet. Calma, calma: já tinham se encontrado pessoalmente antes, portanto nada mais seguro.

O dia arrastou-se, viscoso, até que se aproximasse o horário de ir ao show. Trajando-se de maneira apropriada para a ocasião, o adolescente finalmente chegou à grande casa de espetáculos, onde a amiga o esperava desde as 14h, acompanhada da irmã.

Foi quase um susto. Joana, a amiga, não era exatamente uma mulher bonita, nem sequer tinha um quê atraente. Sua irmã, no entanto, encontrava-se no extremo oposto da esfera da beleza: dois anos mais velha, a morena atraía olhares de todos os roqueiros próximos. Ainda assim, não fazia muito o tipo de Rafael.

O rapaz, porém, sempre cortez, percebia que a agitação dos outros jovens incomodava a moça: pulavam tanto que constantemente esbarravam nela. Como homem, deveria protegê-la, e assim fez: envolveu seus ombros com o braço esquerdo, evitando que os ogros próximos continuassem a incomodá-la. Ela percebeu.

Caminharam assim abraçados até entrarem na pista. Ela podia não fazer seu tipo, mas certamente o toque de seu corpo contra o dele provocava-lhe uma sensação agradável. Ela parecia igualmente confortável, de modo que permaneceram igualmente próximos enquanto esperavam pelo início do show. Joana, que vinha à direita de Rafael, observando o comportamento do amigo com a irmã, tomou-lhe a mão e começou a acariciá-la. “O que ela está fazendo?”, ele pensava, ainda que não achasse nada mal estar cercado por duas mulheres – sentia, talvez subconscientemente, que instaurava-se um clima de disputa entre as duas irmãs, e isso massageava seu ego masculino.

O início do show veio como uma enorme rocha despencando sobre o mar. Os três estavam muito próximos do palco, e a agitação do público em ondas quase os derrubava: moviam-se independentemente de sua vontade, os corpos inclinando-se a graus perigosos, a queda tornando-se quase iminente. Joana passa mal, e o trio se vê forçado a afastar-se dos músicos, rumo a um espaço mais vazio e mais seguro.

Com mais espaço, não havia necessidade de ficarem os três grudados. E assim Joana ficou um pouco mais à frente da irmã e de Rafael, que, no entanto, continuavam abraçados. Hormônios rugiam no corpo do rapaz a cada movimento que aquela linda mulher fazia ali, tão terrivelmente próxima. Ecoavam em sua mente as palavras que ouvira a vida toda: “Você pensa demais”, “Você deveria ter ido mais rápido”. Ali, não havia o que pensar. Ela estava lá, grudada nele há mais de uma hora, e eles tinham acabado de se conhecer.

Ele conhecia o repertório. E na hora certa, na música certa, sob os olhares tristes e raivosos de Joana, aconteceu.

 
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Publicado por em 01/06/2010 em Conto

 

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Scars of Time, versão porrada

Chrono Cross foi um jogo de videogame desenvolvido pela Squaresoft (hoje Square-Enix) em 1999/2000 para o Playstation, como sequência para um dos mais conhecidos RPGs da empresa, Chrono Trigger. Não chega nem aos pés de seu antecessor na maioria dos aspectos, em minha humilde opinião, mas em trilha sonora merece seu destaque.

A faixa de abertura, originalmente, tem fortes influências celtas e passa longe da pegada jazz/fusion meio épica, meio futurista característica da trilha de Chrono Trigger. Mas sempre senti que ela tinha vocação para heavy metal, então fiz-lhe uma versão mais “temperada”, puxada na distorção, que você pode conferir acima.

Se gostar, pode entreter-se também o que fiz com três temas de Chrono Trigger há algum tempo, na mesma linha:

 
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Publicado por em 24/04/2010 em Arte, Música, Multimídia

 

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História de uma banda

Cowboyguy, o baixista da The Other Guys

Cowboyguy, o baixista imaginário da The Other Guys

O primeiro impulso partiu no começo deste milênio, lançado por alguns CDs de Stratovarius, Nightwish, Edguy e outras bandas de metal melódico. Naquela época, só um dos quatro caras sabia tocar um instrumento – mas isso não impediu que eles formassem uma banda. Criaram personagens engraçados, estabeleceram o que cada um iria tocar e bolaram um nome: The Other Guys – originado da imaginação de uma cena, a abertura de um show narrada por alguém que dizia “And now, with you, Stratovarius! But first, listen to these other guys” (ou, em português, “E agora, com vocês, Stratovarius! Mas antes, ouçam esses outros caras aí”). [Acabo de descobrir que existem outros grupos musicais com esse nome, The Other Guys... O.o]

Conceito criado, algumas músicas boladas, adição de um novo membro, invenções criativas para suprir a falta de um baixista (“Ah, o Pó pode fazer uma guitarra com um braço de baixo, aí ele toca os dois!”), mas o projeto nunca saiu do papel. Claro: até o momento em que se declarou seu fim, mais da metade da banda ainda não sabia tocar direito o próprio instrumento. Desistiram do grupo. Isso, no entanto, não impediu que os caras continuassem estudando.

O tal do batera encontrado no shopping

O tal do batera encontrado no shopping

Algum tempo passou, e dois dos membros originais resolveram retomar aquela ideia, fazendo algumas adaptações. Agora já conseguiam montar umas músicas (eles pensavam que estavam compondo) e tocar de maneira razoável. Acharam um segundo guitarrista no metrô (“olha, um cara com camiseta do Helloween! Ei, você toca alguma coisa?”) e recrutaram um baixista que haviam conhecido num fórum do Edguy. O baixista ficou pouco tempo. Mas essa nova formação precisava de um baterista, que foi encontrado de maneira semelhante ao guitarrista: voltando de um “ensaio”, passaram no Shopping Santa Cruz, em São Paulo, e viram um rapaz usando uma camiseta do Blind Guardian. “Oi! Você toca alguma coisa?” | “Ah, toco bateria” | “Nossa, justamente o que a gente precisava!” | “Ah, mas eu só toco há 1 mês!”

Não importava. Nascia ali a Lifestream (nome tirado de um RPG, Final Fantasy 7, predileto dos fundadores). Muitas músicas foram montadas, algumas foram compostas; ocorreram muitas mudanças de direcionamento (não sabiam se tocariam apenas músicas próprias, se misturariam covers, se seriam apenas cover de uma única banda); diversas mudanças de formação foram moldando as características daquele grupo de jovens. Passaram por ali três baixistas, três guitarristas, três bateristas (dos que permaneceram por mais tempo, já que inúmeros foram testados) e um vocalista/tecladista.

Sete anos se passaram sem um único show. No meio tempo, uma nova mudança de nome: Logic Reverse. Enfim, uma formação estável. Enfim, um show marcado, uma estreia em grande estilo num dos bares de rock mais bem conceituados da capital paulista. Em três meses, outro show num bar da mesma categoria, animado, para um público ínfimo, mas fiel. Terceiro show marcado, mas não executado.

Olha esse cabelo...

Olha esse cabelo...

Fim da banda. Fim de um sonho. Sete anos de planejamento, um imenso arquivo de músicas, algumas poucas gravações caseiras (é, viva a época das gravações digitais e dos home studios!), tudo esmigalhado por um punho de quatro dedos: stress, vestibular, compromissos com outras bandas, desentendimento entre dois membros.

Um ano se passou desde então. O stress foi aliviado, os gostos musicais mudaram, e três amigos resolveram retomar aquela ideia: os dois fundadores e aquele baterista do shopping. O brother lá do comecinho, que era o único que tocava alguma coisa quando surgiu The Other Guys, trabalha demais, mas quando sobra um tempo se junta com os outros três pra esmerilhar as teclas de seu Roland. Baixo? Pra quê, se a inventividade e o clima de brincadeira permitem que um dos vocalistas (é, “um dos”, porque no meio do caminho o outro fundador, guitarrista, começou a cantar) use seu keytar para doar graves ao som do trio?

Pegue uma base de rock, tempere com pitadas de metal e grunge (que também são rock, mas um tanto modificado), acrescente um quase nada de pop. Leve ao forno por 50min e decore com três ou quatro velinhas. O resultado é essa banda aí, que pretende se divertir sem pensar muito num futuro como profissional, e que daqui a pouco vai ter um novo nome.

Atualização (21/12/2009): a banda agora se chama Totalmente Dahora. E temos fotos!

Banda Totalmente Dahora ensaiando na Batcaverna

 
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Publicado por em 17/09/2009 em Música

 

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Variando temperos

Vai um limão? Dá um sabor diferente pra sua bebida!

Vai um limão? Dá um sabor diferente pra sua bebida!

Talvez você já saiba, talvez não, mas eu sou músico. Toco guitarra há um bom tempo e comecei a aprender canto há pouco menos de 3 anos. No começo dos meus estudos de música eu era daqueles metaleiros bem bitolados; com o passar do tempo, fui buscando outras coisas, talvez mais porque todo mundo falava que “músico tem que ouvir de tudo” do que por uma vontade real de conhecer coisas novas. E assim fui apresentado ao jazz e à MPB, estilos muito cultuados por aqueles que tocam música popular.

Aquilo me parecia muito chato. Digo, sempre gostei de uma coisa ou outra de música brasileira (especialmente Chico Buarque e Tom Jobim), mas não era exatamente algo em que eu me encontrava. Música pop, então, nem se fala – pra mim, era o lixo do lixo.

Mas é engraçado como as coisas mudam. Quando a gente é jovem, adolescente ou recém-saído da adolescência, acha que tudo é pra sempre, que nossos gostos serão eternamente os mesmos e que pouca coisa vai mudar. Estou vendo agora que a vida não é bem assim.

Desde que minha professora de canto me mandou remover todo o heavy metal do meu MP3 Player (por questões didáticas mesmo), fui obrigado a tentar encontrar satisfação em outros estilos musicais. E curiosamente, encontrei uma satisfação ainda maior do que encontrava em meu antigo estilo favorito. Foi questão de 1 mês para que eu mudasse meu gosto a tal ponto de, ao ouvir metal de novo, não achar tanta graça. Achar fraco o arranjo de boa parte das músicas do gênero, achar o estilo de canto demasiadamente gritado e padronizado (não que vocalistas de metal sejam ruins – eles fazem coisas tecnicamente incríveis, mas o estilo exige certas coisas, como gritos e tal).

Hoje eu ouço MPB com gosto. Ouço pop rock com gosto. Ouço grunge com gosto. Ouço musicais com mais gosto ainda. Tudo destituído de preconceitos (ou assim espero).

Tudo isso pra dizer que, se você acha que todas as suas crenças e gostos continuarão os mesmos eternamente, esteja preparado para uma eventual reviravolta. E quanto mais resistente você estiver às mudanças, mais difícil será. Então, é bom estar sempre com as papilas gustativas abertas a novos temperos – eles podem ser mais saborosos do que você imaginava!

 
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Publicado por em 06/07/2009 em Música, Reflexões & Filosofia

 

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