Aí vai minha pequena homenagem ao show do Unisonic.
… como desenhista, eu sou um ótimo músico. Hehehe
Abril de 2003. Naquela noite aconteceria o show de uma de suas bandas favoritas, daqueles com gravação de DVD e tudo. A maior parte de seus amigos não era grande fã da banda, então Rafael iria com uma amiga que conhecera pela internet. Calma, calma: já tinham se encontrado pessoalmente antes, portanto nada mais seguro.
O dia arrastou-se, viscoso, até que se aproximasse o horário de ir ao show. Trajando-se de maneira apropriada para a ocasião, o adolescente finalmente chegou à grande casa de espetáculos, onde a amiga o esperava desde as 14h, acompanhada da irmã.
Foi quase um susto. Joana, a amiga, não era exatamente uma mulher bonita, nem sequer tinha um quê atraente. Sua irmã, no entanto, encontrava-se no extremo oposto da esfera da beleza: dois anos mais velha, a morena atraía olhares de todos os roqueiros próximos. Ainda assim, não fazia muito o tipo de Rafael.
O rapaz, porém, sempre cortez, percebia que a agitação dos outros jovens incomodava a moça: pulavam tanto que constantemente esbarravam nela. Como homem, deveria protegê-la, e assim fez: envolveu seus ombros com o braço esquerdo, evitando que os ogros próximos continuassem a incomodá-la. Ela percebeu.
Caminharam assim abraçados até entrarem na pista. Ela podia não fazer seu tipo, mas certamente o toque de seu corpo contra o dele provocava-lhe uma sensação agradável. Ela parecia igualmente confortável, de modo que permaneceram igualmente próximos enquanto esperavam pelo início do show. Joana, que vinha à direita de Rafael, observando o comportamento do amigo com a irmã, tomou-lhe a mão e começou a acariciá-la. “O que ela está fazendo?”, ele pensava, ainda que não achasse nada mal estar cercado por duas mulheres – sentia, talvez subconscientemente, que instaurava-se um clima de disputa entre as duas irmãs, e isso massageava seu ego masculino.
O início do show veio como uma enorme rocha despencando sobre o mar. Os três estavam muito próximos do palco, e a agitação do público em ondas quase os derrubava: moviam-se independentemente de sua vontade, os corpos inclinando-se a graus perigosos, a queda tornando-se quase iminente. Joana passa mal, e o trio se vê forçado a afastar-se dos músicos, rumo a um espaço mais vazio e mais seguro.
Com mais espaço, não havia necessidade de ficarem os três grudados. E assim Joana ficou um pouco mais à frente da irmã e de Rafael, que, no entanto, continuavam abraçados. Hormônios rugiam no corpo do rapaz a cada movimento que aquela linda mulher fazia ali, tão terrivelmente próxima. Ecoavam em sua mente as palavras que ouvira a vida toda: “Você pensa demais”, “Você deveria ter ido mais rápido”. Ali, não havia o que pensar. Ela estava lá, grudada nele há mais de uma hora, e eles tinham acabado de se conhecer.
Ele conhecia o repertório. E na hora certa, na música certa, sob os olhares tristes e raivosos de Joana, aconteceu.