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Jekyll & Hyde: O Médico e o Monstro

Jekyll & Hyde (divulgação)Semana passada fui assistir ao musical Jekyll & Hyde – sim, aquele mesmo para o qual fiz audição há um ano.

O espetáculo já começa a envolver o espectador antes mesmo de começar: no foyer é distribuído um programa simplificado cuja capa imita um jornal da Londres do século XIX, situando-nos na época em que se passa a ação; uma vez dentro do teatro, há um barulho de chuva ininterrupto, que colabora para nos colocar “no clima” da peça. Resumidamente, ela fala sobre Henry Jekyll, um cientista que deseja inventar uma fórmula para separar os lados bom e mau do ser humano, para poder liquidar a maldade no mundo e, com isso, salvar seu próprio pai da loucura (a qual ele crê dever-se a seu lado mau). Leva a proposta aos dirigentes de um hospital, pedindo permissão para fazer de alguns pacientes suas cobaias, mas seu pedido é prontamente rejeitado, o que o leva a conduzir seus experimentos consigo mesmo. E por aí vai.

Kiara Sasso (crédito: site oficial)

Kiara Sasso no papel de Emma

Logo de cara já é possível perceber que o forte desta montagem é a música: acompanhados por orquestra e banda, os cantores mostram um desempenho absurdo do começo ao fim, com merecido destaque aos protagonistas Nando Prado (Jekyll/Hyde), Kacau Gomes (Lucy, a prostituta) e principalmente Kiara Sasso (Emma, noiva de Jekyll).

A performance vocal, os belos efeitos especiais (incluindo chuva e fogo, que contribuíram para alçar o orçamento da montagem aos 6 milhões de reais) e os incríveis figurinos de Fause Haten são, na maior parte do tempo, o bastante para encobrir o desempenho não tão bom em termos de atuação. Claro que não podemos esperar uma interpretação puramente realista num musical, simplesmente porque em realidade as pessoas não cantam para comunicar tudo o que querem, mas em diversos momentos é fácil perceber que boa parte dos cantores apenas decorou suas marcas, sem a preocupação de deixá-las orgânicas – em diversos momentos a movimentação e os gestos simplesmente não convencem. Exceções notáveis a isso são a própria Kiara Sasso (para mim, a estrela maior do espetáculo) e Nando Prado, especificamente na cena em que discute consigo mesmo (Jekyll vs. Hyde), num trabalho de corpo que impressiona. Nem preciso dizer que, atuando bem ou mal em termos gerais, Nando é infinitamente superior a David Hasselhoff, que “interpretou” o papel principal na Broadway.

Kacau Gomes (crédito: divulgação)

Kacau Gomes como Lucy

Jekyll & Hyde é uma peça de entretenimento. Não sei se por estar muito acostumado à história, saí do teatro sem grandes reflexões – mas creio não ser este o objetivo do espetáculo. Uma curiosidade, porém, vale destacar: durante os aplausos, Kacau Gomes foi a mais ovacionada, com berros emocionados vindos de todas as partes, o que corrobora aquela ideia de que geralmente o público se identifica mais com a personagem-pária-social do que com os “mocinhos”. É para se pensar (fique à vontade para comentar sobre o assunto aqui se tiver alguma ideia do porquê disso).

Ah, em relação a eu ter feito audição para esta peça e não ter passado: eu realmente não havia atingido a maturidade vocal necessária para fazer um musical deste porte na época da audição (e me pergunto se hoje já consegui atingir o mínimo necessário). Engraçado, porém, que o personagem Spider, para o qual eu tinha audicionado, foi simplesmente limado da peça – nas poucas aparições que faria, foi substituído por Stride, o pretendente ciumento que perdeu Emma para Jekyll. E mais uma coisinha: no post que escrevi sobre a audição eu disse: “Não tive receio de me ‘queimar’ com o diretor porque acredito já ter uma voz suficientemente preparada para não ser visto como um ‘aventureiro sem noção’”. Aí eu descobri que o diretor é Fred Hanson, que participou da produção de alguns musicais gigantes na própria Broadway. Hehe.

Serviço
Local: Teatro Bradesco
Endereço: Rua Turiassú, 2100 – Bourbon Shopping, 3° piso – São Paulo
Horários: quinta, 21h; sexta, 21h30; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h
Preços: R$ 40,00 a R$ 190,00 (mais detalhes no site do teatro, link acima)
Data: até 17 de outubro de 2010


 
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Publicado por em 26/09/2010 em Arte, Música, Resenhas, Teatro

 

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O Despertar da Primavera

Elenco (foto: Veja Rio)

Quando comecei a me interessar de verdade por musicais (ao ponto de querer trabalhar com isso), as audições para O Despertar da Primavera mal haviam se encerrado. Eu não poderia mais me inscrever para tentar um papel na peça, mas tive a excelente oportunidade de acompanhar pela primeira vez o processo de montagem de um musical desde o começo, ainda que de fora e sob a visão dos assessores de imprensa da dupla Möeller & Botelho - responsável pela versão nacional do musical da Broadway. Só falta ver o resultado final.

Mas por mais que eu não tenha ainda assistido à coisa feita, a obra é definitivamente assunto a se tratar. Escrita em 1891 pelo ator, romancista e dramaturgo alemão Frank Wedekind (precursor do Expressionismo no teatro), a peça que deu origem ao musical joga na cara do espectador uma série de tabus, como “o florescer da sexualidade, o incesto, suicídio e a opressão seja na família, no sistema educacional ou na igreja” (como diz o site de Möeller & Botelho) – e justamente por isso teve enorme dificuldade em ser montada, tendo sofrido proibições e censura em mais de um país até que conseguisse, em 1974, ser encenada profissionalmente e sem alterações. Mas vou evitar girar em torno de tudo aquilo que você pode ler no site deles ou nos inúmeros outros que falam sobre a montagem (como o da Bravo!).

Inúmeros. Inúmeros sites e inúmeros fãs. Eu honestamente nunca tinha visto um musical com tanto apelo popular, ao menos nesses poucos anos em que tenho acompanhado essa história de musicais. E o mais curioso é que, pelas leituras que fiz, a peça parece ser extremamente forte, o que costuma trazer alguma espécie de reflexão para a plateia. E, convenhamos, o público brasileiro não está muito acostumado a ser chamado à reflexão, de tão bombardeado que é por informações vazias e entretenimento fácil. O diretor Charles Möeller e o letrista Claudio Botelho conseguiram um tremendo feito ao massificar uma montagem com essa característica, ao ponto de conseguir-lhe uma segunda temporada em São Paulo.

Letícia Colin

Letícia Colin, Ilse na peça: o aflorar da sexualidade é um dos temas tratados (foto: site Möeller & Botelho)

Vou no caminho já trilhado por outros textos ao dizer que provavelmente esse sucesso todo veio pela atualidade (ou talvez atemporalidade) do texto. Os jovens de hoje podem ter uma liberdade infinitamente maior do que a dos jovens de 1891, mas continuam com angústias e dúvidas muito parecidas. É na adolescência que as máscaras do mundo começam a cair, que as coisas deixam de ser tão cor-de-rosa, e por um bom tempo ficamos tentando discernir quanto do que aprendemos é verdade e quanto é manipulação ou imposição social, quais regras podemos quebrar, o que somos de fato (para nós e para o mundo) e até que ponto somos livres. No auge de meus 24 anos, algumas dessas dúvidas foram sanadas, outras permanecem, novas certamente surgirão e algumas provavelmente voltarão (eu e algumas amigas discutimos sobre esses assuntos no blog Aos 24…). E é disso que a peça (e consequentemente o musical) trata, mergulhando no íntimo de personagens cujas idades vão dos 14 aos 25 anos e escancarando o que se passa em suas mentes quando estão presos entre os tijolos das instituições (lar, escola e igreja) ou quando estão livres na natureza de uma floresta – metáfora cênica inteligente para a liberdade da natureza humana.

Bom, muita teoria. E teoria prende. Me falta agora aproveitar a reestreia paulistana para ver, na prática, quanta força tem esse soco no estômago que parece ser O Despertar da Primavera, e quão libertador ele pode ser.

Serviço

Local: Teatro Frei Caneca
Endereço: Rua Frei Caneca, 6º andar (Shopping Frei Caneca), 569 – Consolação – São Paulo, SP
Horário: sábados, às 18h; domingos, às 20h, e segundas às 20h30
Preço: finais de semana, R$ 70,00; segundas, R$ 50,00 (valor da inteira)
Data: até 15 de agosto de 2010

 
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Publicado por em 15/07/2010 em Arte, Música, Teatro

 

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A estreia das estreias

Maquiagem

Parte do elenco feminino se maquiando

Em 26 de junho de 2010 aconteceu a estreia do exercício cênico Cenas de Jorge Andrade. Foi também a estreia da minha turma do Célia Helena nos palcos. E também minha estreia atuando efetivamente em teatro.

O dia foi bastante longo. Chegamos ao Teatro Célia Helena, na Liberdade, às 13h, quatro horas depois de nosso professor/diretor Fernando Nitsch (em cartaz agora com esta peça que eu já resenhei), que chegara mais cedo para preparar a iluminação. A apresentação começaria às 20h30. Quando cheguei, os móveis recebiam uma demão de tinta – o palco já havia recebido sua cota, para que ficasse livre das marcas e manchas deixadas pela última encenação que acolhera.

Iniciou-se então o ensaio técnico. O técnico de luz acompanhava nosso muito enxuto ensaio, apenas para pegar as deixas das transições de que cuidaria. Percebi nesta montagem que prefiro esquemas de luz simples, como o nosso (um contra azul, luz geral, foco de narrador e foco numa elevação do palco e pronto), no lugar de iluminações pomposas e grandiosas: as simples trazem o clima adequado ao mesmo tempo em que aproximam o público da ação.

Em termos de trilha sonora, permito-me um certo orgulho: Bárbara Mazzola e eu juntamos, depois de boa pesquisa, um apanhado muito legal de músicas das décadas entre 30 e 60 (períodos em que se passavam as peças que adaptamos), todas tendo como instrumento principal o violão. Várias das músicas eram interpretadas pelo fantástico (e já falecido) violonista brasileiro Baden Powell. Fizemos um bom trabalho juntos, né, Bá?

Elenco

Boa parte do elenco junta e ansiosa para o grande momento

Duas horas de ensaio técnico, um ensaio geral “com tudo” e finalmente começávamos a vislumbrar a forma final de nossa apresentação, com a iluminação adequada e a trilha sonora contribuindo para a criação da atmosfera esperada. E a empolgação crescia. Um ou outro errinho na iluminação e no som durante o ensaio deixaram este novato um tanto apreensivo – mal eu podia saber, no entanto, a sincronia incrível que nossos técnicos teriam conosco quando tudo fosse “pra valer”.

Corri então para buscar algo que se assemelhasse a um jantar (consegui um pedaço de pizza e uma caixa de bolinhos doces) e em poucos minutos estava de volta ao palco, junto com meus colegas de cena, aquecendo o corpo sob o comando de nossa professora e preparadora corporal Ondina Clais. Depois daquilo, nada seria capaz de derrubar a energia positiva e forte que surgia em cada um dos 24 atores, energia cujo combustível era a adrenalina (em altas doses).

Plateia entra. Música brasileira para recebê-la. Primeiro sinal. Segundo sinal. “Bem-vindos ao exercício cênico do segundo termo noturno do Teatro Escola Célia Helena. [...] Por favor, desliguem os celulares. Não é permitido fotografar ou filmar com flash. Tenham todos um bom exercício.” Terceiro sinal. Peça. Peça. Adrenalina 207%. Peça. Susto, choro, beijo, blackout, Beatles. Palmas, emoção, reflexão lá e cá. Êxito absoluto.

(A Bárbara também falou sobre esse dia no blog dela. Os textos se complementam!)

Veja o álbum de fotos

Ficha Técnica:

Direção: Fernando Nitsch
Elenco: Amanda Campina, Amanda Mello, André Stern, Bárbara Mazzola, Beatriz Furiatto, Elohá Bartijoto, Fabio Martins, Fabíola Martins, Felipe Bastos, Flávia Mariotto, Jéssika Pelaes, Jo Capelo, Julio Cesar Gomes, Jurema Pedroso, Luana Coelho, Luiz Felipe Sobral, Magiu Pinheiro, Mônica Lia, Renata Sarmento, Renato Velloni, Roger Telles, Rosi Lessa, Tay Monteiro, Thaís Helena, Thiago Schiefer
Figurino e trilha sonora: o grupo
Preparação corporal: Ondina Clais
Iluminação e operação de luz: Jeff Campos
Operador de som: Juarez Adriano
Cenotécnico: Mateus Fiorentino

 
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Publicado por em 04/07/2010 em Teatro

 

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Estudo sobre “A Escada”, de Jorge Andrade

São Paulo, 26 de junho de 1970

Querido Martiniano,

Escrevo-lhe estas palavras poucos dias antes de você vir ao mundo. Espero que, quando puder lê-las, tudo esteja melhor do que agora. Não me entenda mal: nada pode descrever a alegria que sinto em saber que você está para chegar. Sinto como se tivesse descoberto o sentido da vida, o caminho para a verdadeira felicidade, na simples perspectiva de ser seu pai. E ninguém neste mundo poderia ser melhor companheira nesta descoberta do que sua mãe. Tenho certeza que ela será, para você, a melhor mãe que um ser humano poderia ter.

Mas, nesta vida, nem tudo é como queremos – e isto é algo de que desejo que você tenha consciência. Estamos passando por um momento bastante delicado na família. Seu avô já não está mais tão lúcido quanto outrora – sinto que seremos obrigados a interná-lo. Deu para fazer negócios pelas ruas, vendendo terras que não lhe pertencem, mas que garante que são dele. Já faz trinta anos, iniciou um processo para reaver a posse do terreno onde hoje fica o bairro do Brás, que foi no passado a chácara do tio-avô dele, e age como se o tivesse ganho. Descendemos de uma família de barões, mas não deixe que isso te influencie como influenciou a seu avô e a seu tio Francisco – que resolveu comprar a ideia de papai e insiste que conseguiremos ganhar este processo. Trinta anos de demanda e ele acha que conseguirá, em poucos meses, ajudar papai a desalojar milhares de pessoas para recuperar terras que, na prática, nem são mais nossas!

Jamais se deixe levar pelas glórias do passado, meu filho. Você há de viver confortavelmente, e seu pai será um dramaturgo de sucesso (espero!), mas cresça pelos seus próprios méritos. Sei que você será um grande homem, e farei tudo que estiver ao meu alcance para que você chegue lá, mas você deve ser o dono de seus próprios passos. Nunca se esqueça disso.

Não se deixe enganar por propagandas. Já sinto os efeitos nocivos do cigarro no meu corpo, mas não consigo mais parar de fumar – tudo porque me fizeram acreditar que o mundo dos fumantes era o mundo do sucesso. Começo a perceber que não podemos acreditar no que esses senhores da propaganda nos dizem. Pena que meus amigos não acreditem nisto, e que para mim esta já seja uma percepção tardia.

Esteja sempre atento às pessoas fascinantes que porventura cruzarem seu caminho: se não puderem ajudá-lo a galgar mais rápido os degraus do sucesso, ao menos tornarão sua vida mais interessante. É o que sinto neste momento, após ter passado horas na casa da vizinha, dona Marta, ouvindo sobre as dificuldades indizíveis da vida desta senhora que parece mais velha que o próprio Tempo! Penso em escrever uma peça sobre sua vida; já tenho até um título: “As Confrarias”. Você o entenderá quando puder lê-la ou assisti-la.

Filho querido, seja sempre um homem íntegro como seu pai, dê valor à sua família, e esteja sempre ao lado de sua mãe – que te ama como se você já estivesse entre nós, e tão profundamente quanto se possa conceber. Saiba dar valor às coisas certas e, acima de tudo, confie em si mesmo. E saiba que este seu pai estará sempre ao seu lado, ajudando-o quando precisar, da forma que puder.

Com amor,

Vicente Dias

 
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Publicado por em 18/04/2010 em Arte, Teatro

 

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A Alma Boa de Setsuan

Chen Tê, por Denise FragaChen Tê foi escolhida por Deus como a única alma boa de seu vilarejo. Mesmo sendo prostituta, mesmo tendo que pagar o aluguel, é a única. Tudo porque pensa no bem dos outros antes de seu próprio, porque não se preocupa apenas consigo mesma.

Chen Tê se transforma então em Chui Ta, seu “primo”, para conseguir dar a si mesma mais atenção. E por que chega a esse ponto? Porque não dá conta de ser boa consigo mesma e com os outros ao mesmo tempo. Torna-se “má” para conseguir suprir as próprias necessidades.

A abordagem é humorística (nem poderia deixar de sê-lo, com Denise Fraga e Ary França no elenco sob a direção redonda de Marco Antônio Braz), mas a mensagem é de uma seriedade absurda – como se espera de um texto de Bertold Brecht, considerado o grande propagador do teatro épico e conhecido por buscar, em suas peças, levar o público à reflexão (tendo isso uma importância superior até mesmo à do enredo).

O que dizer dos atores? Os dois “monstros” citados acima já são conhecidos também por aqueles que não costumam frequentar teatros, dado seus conhecidos trabalhos na TV. Unem-se a eles outros excelentes atores: Kiko Marques, com sua voz engraçada e corpo ágil; Joelson Medeiros, dono de uma interpretação escrachada e divertida; Marcos Cesana, ator com voz potente, clara e versátil; e demais atores não menos competentes.

Os figurinos nos transportam imediatamente ao imaginário vilarejo chinês de Setsuan, povoado por pessoas extremamente pobres e, por isso mesmo, individualistas – nas palavras de Chen Tê, “como alguém pode não ser mau quando tem fome?” (devo ressaltar que esta frase levou a plateia, que até então gargalhava, a um silêncio sepulcral). Os cenários, apesar de relativamente simples na maior parte do espetáculo (exceção feita à fábrica de Chui Ta), contribuem igualmente para nos situar no ambiente em que vivem os personagens.

Pessoalmente, adorei a seleção musical que fazia fundo a certas cenas: além de uma “orientalidade” marcante, com samples de músicas tradicionais chinesas, havia em alguns momentos uma mistura muito interessante e vibrante entre a música oriental e guitarras pesadas, com o ritmo marcado por uma bateria eletrônica típica do techno. Ponto a favor para Théo Werneck, responsável pela trilha sonora, que cumpriu seu papel com maestria.

A Alma Boa de Setsuan é certamente uma das melhores e mais estimulantes peças a que já tive o prazer de assistir, e a recomendo fortemente. Veja aqui um videozinho bem legal, uma entrevista com o Deus interpretado pelo fantástico Ary França.



Serviço

Local: TUCA
Endereço: Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo, SP
Horário: sextas e sábados às 21h30, domingos às 19h
Preço: sextas, R$ 20,00; sábados e domingos, R$ 30,00
Data: segundo a Denise Fraga, até o final de abril


Ficha Técnica

Direção: Marco Antônio Braz
Assistente de direção: Ana Paula Nero
Adaptação: Marco António Braz e Marcos Cesana
Elenco: Denise Fraga, Ary França, Cláudia Mello, Joelson Medeiros, Kiko Marques, Fábio Herford, Jacqueline Obrigon, Marcos Cesana, Virgínia Buckowski, Maristela Chelala e João Bresser.
Cenografia/Direção de Arte: Márcio Medina
Trilha Sonora: Théo Werneck
Iluminador: Wagner Freire
Figurinista: Verónica Julian
Visagista: Emi Sato
Direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro

 
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Publicado por em 04/04/2010 em Arte, Resenhas, Teatro

 

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O Quebra Nozes (com a Cia. de Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro)

Ballet é uma dança que atraiu minha curiosidade há pouquíssimo tempo. Mas com o início dos meus estudos de artes cênicas e minha vontade de trabalhar no ramo de musicais (que exige, em boa parte das produções, que os artistas cantem, dancem e atuem), comecei até a considerar fazer aulas de ballet. Evidentemente, antes de fazer, precisava conhecer direito – e, com esse intuito, fui assistir à montagem do tradicional espetáculo “O Quebra Nozes”, feita pela Cia. de Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro no Teatro Abril, aqui em SP.

De início, fiquei muito impressionado com a produção. Cenários riquíssimos (com direito a uma árvore de Natal que cresce durante uma cena), figurinos muito bonitos e cheios de detalhes, um verdadeiro banquete aos olhos. Das duas horas de música, escritas por P. Tchaikovsky, eu já conhecia e apreciava mais ou menos 1/4.

Acontece que tem coisas para as quais a gente não nasceu. Sem desmerecer em nada a fantástica montagem dos cariocas, digna de todos os elogios, eu simplesmente não parava de cochilar durante a maior parte do primeiro ato. Juro pra você que eu queria ficar acordado e assistir, aquilo tudo era muito bonito, mas eu não conseguia!

Vinte minutos de intervalo, no entanto, me foram úteis para voltar à Terra. Consegui curtir o segundo ato sem “pescar” nenhuma vez – talvez porque nele estivessem concentrados os trechos musicais que eu já conhecia, de modo que ao menos a música me manteve acordado. Além disso, a maior parte dos solos e das danças de par (desculpe não saber o nome técnico) também se acumulam no segundo ato, e ao menos para mim essas são as danças que mais chamam a atenção.

Assistir a este ballet foi uma experiência interessante e determinante. Agora tenho certeza absoluta de que eu não sirvo pra dançar esse tipo de coisa. Precisa de delicadeza demais. E precisa gostar muito pra fazer. Não atendo a nenhuma das requisições. Mas continuo aqui ouvindo a Dança da Fada dos Confeitos (a do vídeo aí em cima) e curtindo simplesmente a música pela música :)

 
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Publicado por em 20/12/2009 em Corpo e Dança, Música, Teatro

 

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A primeira audição

A maioria de vocês já deve ter ouvido falar da estória d’O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, que conta como o dr. Henry Jekyll, numa tentativa fracassada de separar e isolar a essência maligna do ser humano, usando a si mesmo como cobaia, libertou de si um alter ego, Edward Hyde, uma terrível criatura assassina que era nada mais que todo seu “lado ruim” concentrado num único ser. O livro foi adaptado para o teatro na forma de um musical, Jekyll & Hyde, que estreou na Broadway em 28 de abril de 1997, no Plymouth Theatre. Doze anos depois, resolveram trazer esta excelente peça para os palcos tupiniquins.

Há cerca de um mês me inscrevi para as audições desse musical, através do site oficial. Preenchi uma ficha que incluía, entre outras coisas, meus trabalhos prévios em teatro/canto/dança e nível de experiência em cada uma dessas áreas; ali também precisei indicar para qual personagem gostaria de prestar. Minha escolha foi Spider (no vídeo acima, o cara que aparece aos 3’02″), cafetão de uma das personagens principais, Lucy – um papel pequeno que supus estar de acordo com minha pouca experiência nesse mundo do teatro.

Arte visual original do espetáculo, aqui empregada na capa do CD com o elenco original da Broadway

Domingo passado a produção me ligou para marcar a audição. Para mim isso já foi uma vitória, já que, creio, nem todos os inscritos são convidados para os testes (suponho que haja uma pré-seleção das fichas cadastradas pelo site). Mas fui pego de surpresa, já que a produção divulgou há menos de uma semana as músicas que poderiam ser cantadas nesta audição – acreditava que teria ao menos um mês para preparar as duas músicas que escolhi. Primeira lição: eles querem que você já esteja pronto no ato da inscrição, não que você se prepare nos momentos anteriores ao teste.

Bom, marcamos meu teste para esta terça. Ou seja, tive domingo à tarde e segunda-feira à noite para ficar “no ponto” para o teste (na segunda fui ajudado pela minha querida professora de canto, que arranjou um horário em cima da hora para fazermos uma aula). Isso sem contar a construção das personagens que cantam originalmente as músicas escolhidas, atividade que ocupava meu cérebro quase todo o tempo, totalizando aproximadamente 49 horas de preparação. E lá fui eu para meu primeiro teste de verdade – “de verdade” porque já tinha feito um numa aula do conservatório, com banca composta por algumas pessoas conhecidas do meio, como o Luciano Amaral (o Lucas Silva e Silva de O Mundo da Lua), a Jana Amorim (bailarina e cantora que participou d’A Bela e a Fera, musical que já resenhei por aqui) e o Ricardo Marques, mas foi uma “aula de como fazer audição”, não uma audição propriamente dita.

O teste aconteceu no Espaço 10×21, no bairro de Perdizes, São Paulo. Mal cheguei, fui avisado que nós, candidatos, cantaríamos a princípio apenas uma música (não duas, como pedido via e-mail), e que só cantaríamos a segunda se nos fosse pedido. Escolhi a que ensaiara mais no dia anterior e cuja tessitura condizia mais com o personagem para o qual estava prestando.

Chegada minha vez, entrei, combinei minha audição com o pianista, fui para a marca e esperei que me permitissem começar. Vale um parênteses aqui: é engraçado como fiquei muito mais nervoso antes de ir para o Espaço 10×21 do que quando estava em frente à banca. Enfim, perguntaram que música eu cantaria e logo comecei com a primeira parte do solo de Quasimodo em “Lá Fora” (essa aí embaixo, versão em português de “Out There”, do filme e do musical O Corunda de Notre Dame).

Foi tudo muito rápido. A música saiu com facilidade (graças, em parte, à excelente acústica do lugar), mas certamente meu nervoso era visível aos olhos daqueles experientes profissionais, e minha pouca experiência como ator era evidenciada pela timidez dos gestos que acompanharam minha voz. Acabou a música, o diretor agradeceu com um leve sorriso e eu me retirei. Sem segunda canção nem nada.

Ficou bastante claro que não ganharei um papel. Sempre ouvi dizer, e sempre me pareceu muito crível, que quando uma banca de audição gosta de você ou acha que você se encaixa no perfil que procuram, pedem que você ou cante completa a música cujo trecho escolheu, ou que cante sua segunda opção, e se realmente gostarem do que foi mostrado lhe dão algumas indicações sobre a segunda fase de testes (ou callback). Que fique claro: não fui maltratado, ninguém ali se comportou de maneira rude – muito pelo contrário, fui recebido com simpatia -, mas creio que estavam todos cansados e sem tempo para bater papo.

De qualquer forma, me sinto bem. Meu objetivo maior desta vez era uma espécie de reconhecimento de terreno,  saber como é a audição para um grande espetáculo. Qualquer coisa além disso teria sido um grande lucro. Não tive receio de me “queimar” com o diretor porque acredito já ter uma voz suficientemente preparada para não ser visto como um “aventureiro sem noção”. E consegui o que queria: experiência para ir melhor nas próximas tentativas, nas quais já terei mais conhecimento e prática como ator e como cantor para poder pleitear, efetivamente, um bom papel numa montagem de bom porte.

 
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Publicado por em 11/11/2009 em Música, Teatro

 

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Avenida Q em São Paulo

Avenida QNo último mês de julho, fiz uma apresentação lá no Souza Lima com várias cenas de musicais, como Les Misérables, Legally Blonde, Ópera do Malandro e Avenida Q. Na época, este último estava em cartaz no Rio. Claro que, quando veio pra Sampa, eu fiquei muito ansioso para ver – e eis que, na sexta passada, que eu achava ser do último fim de semana desta peça em cartaz, lá fui eu ao Teatro Procópio Ferreira assistir.

Altas expectativas para o musical dos bonecos. Tão altas que nem eu achava que iam ser satisfeitas. Mas me enganei: foi uma das melhores peças que já tive a oportunidade de ver! São tantas coisas para comentar que vou separando por tópicos, pra nós nos entendermos:

Local

Construído em 1948, o teatro fica ali na Rua Augusta, entre a Oscar Freire e a Estados Unidos. É bem amplo, ainda que não seja gigantesco (são 670 cadeiras meio puídas, mas ainda assim confortáveis), e conta com uma ótima acústica e um belo e moderno foyer, com um bar bem no meio.

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e o protagonista Princeton (André Dias)

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e o protagonista Princeton (André Dias)

Produção

Comecemos pelos figurinos: por mais que os personagens humanos tenham trajes bem interessantes e característicos, o que mais chama a atenção são mesmo os bonecos. E sim, alguns deles têm mais de um figurino, entre pijamas e roupas de gala – isso quando não aparecem nus! Pois é, pra quem nunca ouviu falar da peça, vale dizer: trata-se de uma espécie de Vila Sésamo com temática adulta, com direito a palavrões, discussões sociológicas e até cenas de sexo entre muppets.

O cenário, em alguns momentos bem abrasileirado (isso porque trata-se de uma versão de um musical da Broadway), conta com alguns “acessórios” bem bacanas, como o par de camas do apartamento de Rod e Nicky (numa cena que é interessantemente vista “de cima”) e o Empire State Building que aparece em certa altura da encenação.

O som dos atores/cantores e da banda, que toca escondida, mas ao vivo, é muito bem equalizado e sai das caixas com excelente qualidade – tanto em termos de áudio quanto de execução.

Minha única ressalva neste tópico é quanto a cobrarem pelo programa do espetáculo. Ok, o papel é bom, tem verniz e tudo, foi caro fazer, mas cobrar R$ 10 à parte por algo que complementa a peça é um exagero.

Texto

Escrito originalmente por Robert Lopez e Jeff Marx (letras e música), o texto ao mesmo tempo bem-humorado e “agressivo” (porque nos faz pensar na lógica da sociedade em que vivemos) foi excelentemente traduzido por Claudio Botelho nesta versão tupiniquim. A grande sacada foi manter a tradução levemente aberta, o que permite contextualizar algumas piadas de acordo com o local da apresentação (como quando um personagem gay convida outro para ir ao Shopping Frei Caneca, conhecido em SP por ser bastante frequentado por homossexuais; na montagem carioca o local citado era outro).

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e Nicky (Fred Silveira)

Kate Monstra (Sabrina Korgut) e Nicky (Fred Silveira)

Atores

É aqui que a peça brilha. O texto é excelente, a produção é esmerada, os músicos são altamente gabaritados, mas o elenco de Avenida Q é o que realmente faz a peça valer a pena. Todos os que pilotam bonecos conseguem fazê-los andar com naturalidade, ter trejeitos e vozes características (e cantar com elas), além de utilizarem suas próprias expressões faciais como um complemento para as dos bonecos. É incrível como alguns dos atores controlam (e falam por) mais de um boneco – com surpreendentes momentos como, por exemplo, quando Sabrina Korgut, que faz Kate Monstra e Lucy de Vassa, está escondida dentro do casarão do cenário com o boneco de Kate, enquanto Renata Ricci encontra-se no palco controlando Lucy, e mesmo assim ouvimos, em sincronia perfeita, Sabrina falando por Lucy. O que mostra quanto trabalho esses fantásticos atores tiveram ensaiando antes de estrearem.

No dia em que fui assistir à peça, os três personagens humanos foram vividos pelos stand-ins. Minha única ressalva fica por conta de Carll Santos, que, ainda que bom ator, parecia não estar muito presente nas cenas, muitas vezes exagerando movimentos, e em outras com o olhar aparentemente distraído e distante. Mas nada que comprometesse seu Gary Coleman no contexto geral.

***

Avenida Q continua em cartaz, diferentemente do que eu esperava, até 13/12. Então, você ainda tem pouco mais de um mês para ver (ou rever) esse fantástico musical, extremamente divertido e cativante. Aproveite a campanha Vá ao Teatro para comprar o ingresso por R$ 5 (é, cincão, acho que sentando nas laterais) ou pague R$ 80 (inteira) para escolher um lugar mais centralizado. Só não deixe passar a oportunidade.

Ficha técnica aqui. E um videozinho de aperitivo:

 
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Publicado por em 02/11/2009 em Música, Resenhas, Teatro

 

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Luz

Silêncio. Ouve-se apenas um coração batendo. Mãe e filha estão abraçadas no canto de uma sala branca – a consciência da criança.

MÃE
Ai, estou tão ansiosa! Não deve faltar muito pra você chegar… Já tá na hora, né? Agora vamos passear. Vou com uma roupa bem bonita, na hora quero estar arrumadinha pra você!

(pausa) Você está tão quietinha… Não se mexe desde ontem… não assusta a mãe, não, viu!

(para o pai) Olha, avisa minha mãe que a mala está preparada em cima da cômoda… algo me diz que de hoje não passa.

PAI (apenas a voz)
Não se preocupe, já avisei. Agora vamos, tão esperando a gente.

Ouve-se o barulho de uma porta se fechando e sendo trancada. (Pausa)

MÃE
Ai… to sentindo… acho que vamos ter que mudar nossos planos, amor.

A criança se levanta e começa a caminhar para longe da mãe, em direção a um novo foco de luz. Surgem dois espíritos de formas femininas ladeando o bebê.

ANJO PROTETOR
Chegou a hora. Está vendo aquela luz? É o mundo. É para lá que tu vais.

O OUTRO
Mas cuidado, que lá a coisa muda.

CRIANÇA
Muda como?

O OUTRO
Lá não é quentinho, muito menos aconchegante. Aqui é seguro, lá não.

ANJO
Mas lá aprenderás coisas novas, vais poder interagir com outras pessoas que têm o mesmo objetivo que ti.

A mãe começa a respirar intensamente, preparando-se para o trabalho de parto.

CRIANÇA
Vai doer?

O OUTRO
Sempre dói. E vai doer para sempre.

ANJO
A dor é parte do caminho, mas não é o mais importante. Ela sempre resulta em crescimento e te deixa mais forte. E se ficas mais forte, sentes menos dor.

O OUTRO
Mas sempre haverá uma dor maior que a anterior. E você vai sofrer. Ninguém lá fora é bonzinho como sua mãe. Não demora e você já vai perceber isso. A violência começa logo de cara: o primeiro momento é cheio de sangue, tapas e choro.

CRIANÇA
Ai… eu não quero ir pra lá!

ANJO
Não te preocupas. O sangue que vais ver é o que te manterá viva, o que te liga a teus pais durante toda essa viagem que começa agora.

O tapa que virá daqui a pouco vai te ajudar a respirar, porque lá fora tua mãe não vai poder te dar o ar. E isso é bom! É aí que você começa a ter tua própria força.

CRIANÇA
E o choro? Já to sentindo minha mãe chorando…

ANJO
As lágrimas? São de alegria! Teus pais estão te esperando há muito tempo, estão muito ansiosos, querem tê-la ao alcance dos braços.

O OUTRO
Para lhe dar ordens e comandar sua vida…

ANJO
Para te guiar e te ajudar no começo da caminhada, até que você consiga andar com tuas próprias pernas.

O OUTRO
Mesmo quando isso acontecer, eles vão continuar lhe dando ordens e comandando sua vida. Ou talvez te larguem e esqueçam que é filha deles, ou talvez nem se importem. E se agora você for só o brinquedo favorito? E quando deixar de ser?

ANJO
Toda dúvida é válida, mas não deixes que conjecturas te amedrontem e comandem a vida que começa agora. Saiba que neste momento tua mãe te alimentará e te protegerá, e vai se esforçar para que continues tão bem quanto estava aqui. E quanto ao que quer que aconteça depois, saiba que não encontrarás desafio nenhum que não possas suplantar.

CRIANÇA
Puxa… será que eu vou conseguir passar por isso? Parece tão difícil…

O OUTRO
Se prepara…

ANJO
(cortando o Outro) Acredita que sim. Agora vai, que está na hora. Estarei contigo, mesmo que não me vejas, mesmo que me esqueças. E quando precisares de mim, saibas que não te deixarei sozinha.

O OUTRO
Eu também estarei com você, para que você nunca se esqueça dos problemas do mundo. Você precisa tanto de mim quanto dela; sem uma de nós duas não há equilíbrio, e sem equilíbrio sua viagem não terá sentido.

O bebê finalmente chega ao foco de luz.

CRIANÇA
E agora… eu sou?

Obs.: Este texto foi apresentado no EPA – XVII Encontro de Artes da Escola Superior de Artes Célia Helena, em 24 de outubro de 2009. A ficha técnica da apresentação encontra-se aqui.

 
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Publicado por em 24/10/2009 em Teatro

 

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